quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sobre Paris


A cidade amarela

“Nós sempre teremos Paris.” Mesmo quem nunca assistiu à cena final de Casablanca, clássico do cinema de 1942, já deve ter ouvido a frase emblemática ao menos uma vez na vida. Além de nos remeter à mais famosa das despedidas num aeroporto, numa das cenas que marcaria para sempre a história do cinema, a frase nos remete ao glamour e ao romantismo que normalmente se espera da Cidade Luz.



Muitos deram muitos títulos à capital francesa. Porém, se há um denominador comum adequado para defini-la, muito provavelmente trata-se de sua cor. Paris já foi chamada à exaustão de luminosa e romântica, mas provavelmente não houve muita gente que a definiu como uma cidade amarela. E não amarela simplesmente, mas amarela em suas diversas matizes, seja o dourado vibrante dos portões do Palácio de Versalhes, o marrom desbotado das torres de Notre Dame ou o bege das paredes do Louvre.



Amarela ou não, Paris continua sendo Paris. Estar diante da Torre Eiffel, o monumento pago mais visitado do mundo, ainda é um sonho de consumo para muita gente. A torre, diga-se de passagem, é o maior cartão-postal da cidade e hoje pode ser um orgulho para os parisienses, mas não foi bem vinda durante sua construção. Projetada por Gustave Eiffel, ela foi construída para receber a World Expo em 1889, a mesma exposição cuja última edição foi realizada em Xangai. Naquela época, contudo, os moradores de Paris consideraram que a torre iria contrastar com o panorama da cidade. Mal sabiam eles que, décadas depois, a torre simplesmente seria o panorama da cidade; hoje não existe Paris sem a Torre Eiffel.



Mas Paris, é claro, tem outros pontos de visitação. Para quem desliza pelo Sena a bordo de um bateau-mouche, como são chamadas as embarcações turísticas que navegam pelo rio, haverá um momento em que surgirá uma ilha no caminho. É lá que fica o marco zero da cidade, gravado no piso de pedra sobre o local onde antigamente habitava um povo de origem celta, os parísios, que posteriormente emprestariam seu nome à capital da França. É lá que está também a Catedral de Notre Dame, com suas torres góticas cobertas de gárgulas, nas quais o mítico Corcunda batia os sinos.



Não muito longe dali, não mais na ilha, está o Museu do Louvre, lar da Mona Lisa e outras centenas de obras de arte não menos importantes como, por exemplo, La Liberté guidant le peuple (A Liberdade guiando o povo), pintura histórica de Eugène Delacroix que retrata a liberdade como uma mulher de seios nus carregando uma bandeira à frente da Revolução Francesa.





Foi ela, a liberdade, quem guiou o povo enfurecido ao Château de Versailles em 1789, de onde Luís XVI e sua rainha foram levados para a guilhotina. O palácio, que é um dos pontos turísticos mais visitados da França, foi construído por Luís XIV, o Rei Sol, a partir de um pavilhão de caça. Desde os portões dourados, passando pela opulenta Galeria dos Espelhos e continuando até os jardins, o palácio representa todo o luxo de uma realeza que arrancava suspiros de indignação do povo, até que este, de fato, se indignou e decidiu arrancar algumas cabeças.



E, por falar em arrancar suspiros, é difícil compreender exatamente o porquê de Paris ser, entre tantas outras capitais, a escolhida para fazer suspirar pessoas em todos os continentes. Outras cidades têm mais luz, outras cidades têm mais glamour e outras cidades são mais românticas. Contudo, Paris é amarela. Talvez seja exatamente por parecer uma grande e amarelada fotografia em tons de sépia que a cidade exerça tamanho fascínio, fazendo as pessoas pensarem que a terão para sempre, como os protagonistas de Casablanca. (G.P.)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sem título


"Existem muitas pessoas no mundo...
Existem muitos sonhos diferentes.
Eles se chocam...
Causam lágrimas e risos...
Quantas pessoas são capazes de realizar os seus sonhos?
Quantas pessoas ficam satisfeitas com os sonhos que realizam?
Ninguém tem a resposta a essas dúvidas."

TAKEI, Hiroyuki. Shaman King. São Paulo: Editora JBC, 2005. v. 37. pp. 18-20


Um brinde a isso.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Por que a lua está sorrindo?



为什么月亮要微笑?
是在嘲笑我们,还是她真的觉得开心?


sábado, 18 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sobre As Crônicas de Nárnia: A viagem do Peregrino da Alvorada

Baseado no livro homônimo, o filme As Crônicas de Nárnia: A viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: Voyage of the Dawn Treader, 2010) é um retorno ao mundo mágico criado pelo autor inglês Clive Staples Lewis. No longa, os irmãos Edmundo (Skandar Keynes) e Lúcia (Georgie Henley) voltam ao reino de Nárnia por meio de uma pintura pregada na parede da casa de seu primo Eustáquio (Will Poulter). Depois de caírem num oceano revolto, as crianças embarcam no navio que dá título à estória, o qual está levando o atual rei de Nárnia, o jovem Caspian (Ben Barnes), a uma jornada em busca de sete lordes exilados de seu reino.



Adornada com belíssimos efeitos 3D, a fotografia de Dante Spinotti é um dos pontos altos deste filme. Sobre o roteiro, contudo, não se pode dizer a mesma coisa. O tropeço na adaptação aconteceu quando se quis transformar a estória num épico, o que se mostra um erro, pois o material original, o livro de Lewis, não é um épico. É uma crônica. É por isso que o título é As Crônicas de Nárnia. Crônicas. Não épicos. Não é a mesma coisa.

Dessa forma, para dar fôlego extra à narrativa, foi necessário enxertar a trama com elementos completamente novos em relação à obra original, a começar por personagens como a mãe raptada pela fumaça verde (e toda a sua família, para não falar da própria fumaça verde), além das espadas dos sete fidalgos, que, de acordo com o roteiro (assinado por Stephen McFeely, Christopher Markus e Michael Petroni) deveriam ser colocadas na mesa de Aslam para vencer o mal que vem da ilha dos pesadelos. Primeiramente, esse “mal” não existe na obra de C. S. Lewis, uma vez que a referida ilha – no livro chamada de “a ilha onde os Sonhos se tornam realidade” – aparece em não mais do que cinco páginas. No livro, o atual rei de Nárnia não parte em sua viagem para vencer mal algum, mas sim por uma questão de honra.

O problema é que para amarrar todos os acontecimentos, foi preciso aumentar o nível de perigo a ponto de criar um épico que dê sequência aos dois primeiros filmes. Assim, cria-se uma urgência maior para se encontrar os sete lordes. Para suprir esse objetivo, contudo, perde-se um pouco da poesia do texto original, especialmente numa estória em que um navio navega rumo ao fim do mundo – num mundo em que céu e mar se unem num oceano de lírios brancos. Se a adaptação seguisse por um outro rumo, talvez tivéssemos uma obra capaz de abranger um pouco mais a busca pelos limites da existência, conceito esse que, na obra de Lewis, surge – veja só! – por meio de um rato e não de um homem.

Ripchip, em pôster de divulgação

O personagem em questão é o ratinho Ripchip, o qual, na minha opinião, é um dos melhores personagens de fantasia já criados até hoje (ao lado de Gandalf e da princesa Éowyn, de O Senhor dos Anéis, e do Morte, da série Discworld – e, antes que muitos se perguntem, sim, Morte é um homem).

Voltando ao Ripchip de Lewis, assim ele é descrito: “Podia-se dizer que era um rato, e era realmente. Mas um rato com cerca de sessenta centímetros de altura, caminhando apoiado nas patas traseiras. Atada à cabeça, por baixo de uma orelha e por cima de outra, exibia uma fina fita dourada na qual se prendia uma pena vermelha. (...) Apoiava a pata esquerda no punho de uma espada quase tão comprida quanto sua cauda.” É essa espada que Ripchip usa para defender veementemente sua honra, e é a mesma que, no livro, ele atira ao mar de lírios antes de ficar para sempre no país de Aslam. É a metáfora de alguém que, mesmo pequeno, lutou por seus princípios e chegou aonde sonhava. A força da metáfora, porém, se perde na adaptação, o que é uma pena.

O que não se perde, felizmente, é a referência cristã que permeia a obra de Lewis. Nesse filme em particular, a maior dessas referências acontece no seguinte diálogo (que pode ser acompanhado na pág. 514 do volume único de As Crônicas de Nárnia, lançado no Brasil pela editora Martins Fontes em 2005):

– Nosso mundo é Nárnia – soluçou Lúcia. – Como poderemos viver sem vê-lo?
– Você há de encontrar-me, querida – disse Aslam.
– Está também em nosso mundo? – perguntou Edmundo.
– Estou. Mas tenho outro nome. Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.

Esse outro nome ao qual Aslam se refere é Jesus. Isso ficou claro no primeiro filme, especialmente quando Aslam morre pelos pecados de um filho de Adão e ressuscita em seguida. É bom constatar que, apesar das diferenças existentes entre as linguagens literária e cinematográfica, essas referências – que são temas fundamentais à obra de Lewis – não passaram despercebidas. Quanto aos outros aspectos que se perderam, só podemos lamentar. (G.P.)

Mais críticas: Alice no País das Maravilhas

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sobre caminhos



Todos vão a lugares diferentes,
mas seguem pelo mesmo caminho.
Todos vão ao mesmo lugar,
mas seguem por caminhos diferentes.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sobre arsênio, fósforo e novas formas de vida

Segundo divulgação da Nasa, a agência espacial estadunidense, foi descoberto o primeiro microorganismo terrestre capaz de prosperar e se reproduzir utilizando o arsênio, que é um elemento químico tóxico para outras formas de vida. Ainda segundo a agência, a descoberta mudou a nossa compreensão sobre a vida na Terra – e, quem sabe, em outros lugares.

A descoberta foi fruto de uma pesquisa da bioquímica Felise Wolfe-Simon, que identificou no lago Mono, na Califórnia, uma nova bactéria chamada GFAJ-1. Conforme ela explicou numa reportagem publicada no site da agência especial, já eram conhecidas anteriormente bactérias capazes de respirar arsênio; a nova descoberta, contudo, vai além disso, pois os microorganismos descobertos são capazes de incorporar o arsênio em suas constituições celulares. Em outras palavras, eles podem ser feitos de arsênio!

Todavia, o arsênio não é um dos seis elementos fundamentais para a vida – muito pelo contrário, uma vez que age como um veneno para a maioria dos seres vivos. Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo, quando combinados, formam os compostos fundamentais para o que se entendia por vida até a descoberta de Wolfe-Simon. Dessa forma, o fósforo, sendo parte integrante do DNA, era até ontem considerado um elemento obrigatório para a vida. Durante a pesquisa, porém, os cientistas isolaram as bactérias numa solução salina e, gradativamente, substituíram o fósforo pelo arsênio. O resultado foi que as bactérias integraram a substância em suas estruturas celulares em substituição ao fósforo. Consequentemente, um dos elementos até então considerados fundamentais estava faltando, mas a vida não deixou de existir.

Isso muda a concepção que temos sobre o que é vida e abre novos horizontes para a astrobiologia, ciência que busca seres vivos fora da Terra. Até quinta-feira, quando se buscava vida no universo, procurava-se pelos seis elementos fundamentais, mas a descoberta da Nasa mostrou que é possível a existência de um ser vivo baseado em outros elementos. Como identificá-lo, então? A pergunta é: nós seríamos capazes de reconhecer um ser vivo tão diferente mesmo que nos deparássemos com ele?

Essa descoberta abre não apenas novas possibilidades, mas também uma lacuna em nossa compreensão: afinal, o que faz com que nós sejamos o que nós somos? Ainda que saibamos que seja possível existir vida baseada em elementos diferentes daqueles que nos constituem, ainda não somos capazes de definir com precisão o que é a vida. E também não somos capazes de criá-la sinteticamente. Podemos, sim, sintetizar proteínas e outras substâncias, mas como torná-las funcionais? Ao que parece, falta ainda descobrir como acender a última centelha. (G.P.)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sobre Jornalismo aqui e acolá



“Poeticamente podia-se dizer que o Jornalismo é a vida, tal como é contada nas notícias de nascimentos e de mortes (...). É a vida em todas as suas dimensões, como uma enciclopédia.” Assim disse o acadêmico português Nelson Traquina em seu livro Teorias do Jornalismo.

Ora, se o jornalismo é a vida, o jornalista é o cara que conta todas essas histórias de nascimentos, mortes e tudo o que acontece no meio. Jornalistas são, portanto, contadores de histórias, e histórias são, em última análise, interpretações. Fazer jornalismo, dessa forma, é interpretar a realidade e transformá-la numa narrativa.

No Brasil, porém, sinto que o jornalismo abusa do declaracionismo, digamos assim. Parece-me que a maioria dos jornalistas brasileiros simplesmente joga seu texto entre duas aspas, citando o que alguém falou e tirando assim o peso de suas próprias costas, o que certamente diminui o risco de levar um processo – ou quem sabe uma porretada na nuca num beco escuro. Talvez por uma questão de autopreservação, muitos de nossos jornalistas se ocupam em responder as perguntas do lead (o quê, quem, quando, onde, como e por quê?) e, passado o primeiro parágrafo, tudo o que resta são blocos de citações, e isso é tudo.

Como se não bastasse, penso também que muitos dos nossos jornalistas preocupam-se demais em manter em seus textos uma linguagem sóbria e séria que diz: “Olhe para mim, eu sou um cara culto, ok? Eu escrevo enquanto bebo whisky e afago o meu cavanhaque grisalho”, ou então – numa versão mais esquerdista – “Eu já li O Capital três vezes só este ano, nunca comi um Big Mac e só ouço música popular brasileira, de preferência escrita por alguém que foi exilado durante a ditadura”. Ok, estamos nos desviando da questão. O fato é que, comparativamente, sinto falta de criatividade em nosso jornalismo.

Lendo o New York Times, por sua vez, sinto que lá o jornalista tem mais autonomia para reportar o que ele presenciou – e não apenas o que alguém disse. Além disso, parece que há mais espaço para que o autor salpique no texto o seu estilo literário, o que torna a narrativa mais densa e indiscutivelmente mais saborosa. Enquanto aqui as fontes soam muitas vezes mecânicas, no jornalismo ao qual o New York Times aparentemente se propõe, elas soam mais humanas, como personagens de um livro cuja trama é escrita diariamente. E jornalismo não é isso?

Aqui vai um exemplo: No dia 15 de setembro, o New York Times publicou uma reportagem sobre a queda da influência política do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e a ascensão da Liga Norte (o partido político oposto). O texto, assinado por Rachel Donadio, foi intitulado A New Power Broker Rises in Italy (numa tradução livre Uma nova influência política cresce na Itália). Segue um trecho da reportagem em questão:

All of which has empowered one man in particular: Umberto Bossi, leader of the Northern League, who is known for extra salty language, wearing tank tops and continuing to smoke cigars even though a stroke took away a good part of his voice.

Traduzindo:
“Tudo isso fortaleceu um homem em particular: Umberto Bossi, líder da Liga do Norte, que é conhecido pelo seu palavreado pungente, por vestir camisetas regatas e continuar a fumar charutos ainda que um derrame tenha tirado boa parte de sua voz.”

Palavreado pungente, camisetas regatas e charutos. Está aí uma descrição que, no Brasil, seria encontrada mais nos romances do que nos jornais. É dessa irreverência que eu estou falando. Mesmo que não haja uma foto, você é capaz de enxergar o personagem em suas idiossincrasias caricatas.

É difícil dizer se um jornalismo é pior ou melhor do que o outro – apesar de eu ter, é claro, uma opinião pessoal. Ouso dizer, contudo, que muitos dos profissionais que fazem o nosso jornalismo orgulham-se em defender a bandeira da tão sonhada “objetividade”. A criatividade começa a morrer aí. Será que ser objetivo é apenas copiar num caderninho – ou num smartphone, que seja – o que o entrevistado disse e reproduzir entre aspas nas páginas de um jornal? Se é isso que nós estamos fazendo, meu amigo, então nós não passamos de gravadores que sabem datilografar.

Sinto que no jornalismo brasileiro falta espaço para o feeling do repórter, aquele olhar poético e sagaz que vai passar para o leitor não só meia dúzia de palavras entre duas aspas, mas fazer com que o cara de fato imagine uma cena, quase como faz um escritor. Na minha modesta opinião, vale a pena pensar sobre isso. (G.P.)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre Hatsune Miku e um futuro (não tão) distante

Hatsune Miku tem 16 anos, mede 1,58 m de altura e pesaria 42 kg se não fosse uma projeção. Criada pela Crypton Future Media Inc., empresa de produção fonográfica localizada em Sapporo, no norte do Japão, Hatsune foi desenvolvida por meio da tecnologia Vocaloid, que cria vozes sintéticas e permite ao usuário compor músicas e adicionar interpretações vocais a elas sem a necessidade de um intérprete real. É um fenômeno novo na indústria audiovisual, mas vai além. Pois Hatsune Miku não é apenas uma voz; ela é uma diva completa. Baseada no design dos personagens do mangá japonês, ela escapa das telas de computadores e Ipods para cair num ambiente bem mais real, digamos assim. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Tenho de concordar que, neste caso, é verdade. Para entender, nada melhor do que assistir ao vídeo do show de Hatsune "ao vivo":



Hatsune Miku é uma interface entre o mundo binário e o mundo tridimensional. Ao ser inserida num palco diante de centenas de espectadores, porém, ela deixa de ser uma simples projeção para se tornar o simulacro de uma cantora pop. Nesse ambiente, ela é capaz de despertar no público as mesmas emoções e sensações que uma cantora real despertaria. Talvez até mais, considerando-se o seu design de grande apelo. Da interação entre a diva holográfica e o público de carne e osso, nasce um novo tipo de fetichismo – que dificilmente seria criado num local que não fosse o Japão. E ela faz a gente se perguntar: o que é real?



Esse tipo de projeção não é uma novidade tão inédita no entretenimento. Atrações da Disney já fazem uso desse recurso há algum tempo. A novidade, porém, é a realização de um show completo estrelado por uma cantora que não existe, cujas canções não foram gravadas na íntegra por uma dubladora real, mas geradas por um programa de computador. Quando o público se relaciona com um software da mesma forma que o faz com uma pessoa real, isso faz a gente se perguntar qual é o limite na relação entre homem e máquina.

Esse tipo de tecnologia encontra críticas ocasionais, principalmente vindas das gerações mais antigas, que se perguntam o que acontecerá com as relações interpessoais no futuro. Bem, por enquanto Hatsune Miku ainda precisa do fator humano presente na criatividade do compositor, pois, obviamente, ela não cria suas próprias músicas. Mas o que vai acontecer quando novos softwares permitirem às máquinas tomarem decisões por si próprias? Pode parecer ficção científica, mas isso já acontece com os robôs que viajam em Marte, por exemplo, que são capazes de analisar o ambiente e tomar algumas decisões sem precisar da autorização de seus controladores da Nasa.

Imaginemos então um mundo em que máquinas, ou suas representações holográficas, tomem decisões e se reproduzam como faz o ser humano. Dizemos – pelo menos deste lado do mundo – que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Em teoria, podemos supor então que nessa “semelhança” está incluído o potencial que o homem tem de criar um outro “ser” à imagem e semelhança do próprio homem. Quando o avanço tecnológico culminar num andróide capaz de tomar suas próprias decisões e fazer cópias de si mesmo, talvez seja impossível diferenciá-lo de um ser vivo. Até lá, Hatsune Miku nos dá uma agradável prévia. (G.P.)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

É um mundo pequeno, afinal das contas...

Obrigado a todos pelas visitas internacionais que o blog tem recebido até o momento. Registro meus agradecimentos aos 20 países que já passaram por aqui, incluindo as visitas não registradas.

Thank you all for the international visits that the blog has received until now. I register my thanks to the 20 coutries which have been here, including the non-registered visits.



Thank you; merci beaucoup; gracias; धन्यवाद; 감사합니다; 谢谢; Спасибо; danke; ありがとうございます; grazie; آپ کا شکریہ ; obrigado.