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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Narrativa Visual: China ontem e hoje

Viajar pela China é, sob vários aspectos, caminhar entre o antigo e o novo. Trata-se de um país que passa por intensas e visíveis transformações em todos os sentidos, num ritmo que dificilmente pode ser observado em outro lugar do planeta. Nesta fotorreportagem, o leitor poderá apreciar imagens que marcam o contraste de uma nação que sempre despertou a curiosidade do mundo. Aprecie! (G.P.)

Clique nas imagens para ampliar.
Os textos referentes a cada página estão disponíveis em inglês embaixo de cada uma delas.

Visual Storytelling: China yesterday and today
In many ways, travelling in China is a walk among the old and the new. That’s a country which faces all kinds of intense and visible transformations, in a pace that can hardly be seen anywhere else on the planet. In this photo-article, the reader will be able to observe images which represent the contrast of a nation that has always aroused world’s curiosity. Enjoy! (G.P.)

Click the images to enlarge.
The English version for the text of each page is available under the pictures.



Around Beijing, the Great Wall of China rests upon the mountains like a sleeping dragon. In the center of the capital, the waters reflect a pavilion of the entrance to the Forbidden City, where the emperor and his entourage lived for centuries. The Temple of Heaven was the place where the emperor went to burn incense and take part in other religious ceremonies.

One night in Beijing, 我留下许多情。
不管你爱与不爱都是历史的尘埃陈升。
(Chen Sheng and Liu Jiahui)

"One night in Beijing, and I leave behind some feeling.
It doesn’t matter if you love it or not, it’s covered by the dust of history. "



大海 航行 靠 舵手, 干 革命 靠 毛泽东 思想.

"If you want to sail the sea, you must trust the helmsman; if you want to undertake a revolution, you must trust President Mao."

That's a famous Chinese sentence in support to the revolutionary leader Mao Zedong (1893-1976), who founded the Chinese Communist Party and started the Cultural Revolution.

Clockwise: a communist monument in Guiyang, a wall adorned with communist art in the main area of Shanghai, a locked door in the Forbidden City, and Mao's portrait on the Tiananmen Square in Beijing.

Closed doors
Mao ruled China from 1949 to 1976. After his death, Deng Xiaoping became the President, being declared as responsible for the economic opening of China.




Open doors in the Forbidden City

Detail of the Water Cube, the aquatic stadium of the 2008 Olympic Games


Mc Donald’s
in Chengdu, the capital of the Sichuan province


The new and the old in Shanghai




One world, one dream
Under this theme, Beijing hosted the Olympic Games in 2008. Among the Olympic constructions, the highlights were on the National Stadium, known as the Bird's Nest. The event received an investment of $ 40 billion, and was a showcase of the new China to the world, preparing the way to the realization of the World Expo 2010 in Shanghai.



World Expo 2010
"Better City, Better Life" is the theme for the 2010 World Expo, an event held since 1851 which includes the participation of 242 countries and international organizations. Yet today, more than 50 cities have hosted the expo. To host the exhibition in Shanghai, China invested U.S. $ 45 billion. A total amount of 70 million visitors are expected until the enclosure, which will happen on October 31.


The global capital of the 21st century
After hosting the World Expo, Shanghai consolidates its status as a global city, a title given to major cities with great importance for the global economic system, like New York, Paris, Tokyo and London, for example. The ambition of Shanghai, however, does not stop there: the city intends to be the global capital of the 21st century.


Mais sobre a China/More about China:
World Expo, Jiuzhaigou, Vila de Xijiang Miao

Mais imagens/More pictures: Flickr

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre a World Expo e a China de hoje

Em 2008, a China investiu cerca de US$40 bilhões nas Olimpíadas de Beijing. Resultado: um espetáculo monumental que serviu como vitrine da nova China para o mundo ocidental; a China literalmente mostrou-se para o mundo. Dois anos depois, é o mundo que se mostra à China. A edição de 2010 da World Expo (ou Exposição Mundial, evento global realizado pela primeira vez em 1851 em Londres sob o título World’s Fair) está sendo realizada em Shanghai e segue até 31 de outubro. Desta vez, o investimento é de US$45 bilhões.

Walk around the Bird's Nest
Jovens chinesas caminham diante do Estádio Nacional em Beijing


Canção comemorativa produzida para a contagem regressiva de 100 dias antes das Olimpíadas em Beijing (2008)

World Expo 2010
Visitantes ao redor do pavilhão nacional da China, na World Expo 2010

World Expo 2010
Visitantes na área da Europa, na World Expo. Ao fundo, o pavilhão nacional da Finlândia


Vídeo de divulgação da World Expo 2010

O que esses dois eventos de proporções mundiais – as Olimpíadas e a World Expo – dizem sobre a China? Primeiro, que eles não têm medo de investir. Segundo, que eles estão dispostos a abraçar o mundo – e, consequentemente, o padrão de consumo ocidental, de McDonald’s a BMWs. Aliás, isso já aconteceu. A China comunista, da forma como ela existe no imaginário das gerações mais antigas, não existe mais. Isso fica visível, por exemplo, ao entrar num shopping center em metrópoles como Beijing ou Shanghai. Lá, é difícil saber se você está na China ou nos Estados Unidos, tanto pelos letreiros em inglês como pelo Burger King apinhado de gente numa das esquinas.

A realização desses eventos, principalmente no que diz respeito à World Expo em Shanghai, mostra ainda que os olhos do mundo estão voltados para a China, e muito atentamente. Isso não é um fenômeno inédito, é claro. Olhos voltados para a China já estimularam muitos e muitos séculos de comércio durante o tempo da Rota da Seda. Posteriormente, foi a vontade de chegar à Índia e à China que estimulou os navegadores europeus a lançar-se ao mar. Mais uma vez, após o falecimento de Mao (na década de 70) e a abertura econômica promovida por Deng Xiaoping nos anos seguintes, a China renasce como uma terra de oportunidades.

Oportunidades essas que Shanghai representa muito bem por ser uma cidade híbrida que mistura o novo e o antigo, assim como o ocidente e o oriente. Não é por menos que a cidade pretende ser a próxima capital global no século XXI. A realização da World Expo às margens do rio Huangpu é uma das engrenagens que giram nessa direção.

Old and new in Shanghai
Shanghai: uma cidade híbrida que une o novo e o antigo

上海
A cidade que pretender ser a capital global do século XXI

Hoje, há muitos estrangeiros vivendo na China, ainda que a maioria abrasadora seja, obviamente, formada por chineses. É fácil ser maioria quando se é uma nação com quase 1 bilhão e meio de cidadãos. Todavia, apesar de visitantes – e residentes – ocidentais não serem uma novidade, o povo chinês ainda é curioso com relação ao estrangeiro. Se você está indo para lá e tem sua origem declarada pela aparência ocidental, como eu, prepare-se para olhares demorados no metrô, muitas vezes seguidos por comentários indiscretos. Ainda que esteja dividida em 56 minorias étnicas, a maioria (mais de 90%) da população chinesa pertence a uma única etnia, chamada han. Ou seja, o povo chinês está muito menos acostumado à diversidade do que o brasileiro, por exemplo. Nesse sentido, quanto à diversidade, ainda há um longo caminho a percorrer até que a China consiga realmente abraçar o mundo, como vem tentando. (G.P.)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sobre hibridismo e cultura

O mundo já não é tão grande como costumava ser. Fato. Como escreveu Conrad Phillip Kottak, autor de Cultural Anthropology, “no século XV, a Europa estabeleceu contato regular com a Ásia, a África e eventualmente com o Novo Mundo (o Caribe e as Américas). A primeira viagem de Cristóvão Colombo da Espanha às Bahamas foi seguida por viagens adicionais. Essas jornadas abriram caminho para um maior intercâmbio de pessoas, recursos, doenças e ideias conforme o Antigo e o Novo Mundo uniam-se para sempre.” Com a posterior globalização, as pessoas passaram a se encontrar muito mais facilmente. Um voo do Brasil à China, por exemplo, leva cerca de 24 horas. E com isso, é claro, estamos contando apenas a facilidade da interação física. Através da internet, a comunicação é instantânea, o que faz com que o hibridismo cultural se torne muito mais fácil.

De acordo com o dicionário online Michaelis, híbrido é o “indivíduo que resulta do cruzamento de dois genitores de espécies, raças ou variedades diferentes.” Quando se cruza um leão com um tigre, por exemplo, cria-se um indivíduo híbrido chamado liger ou tigon (lion + tiger). Quando se cruza uma cultura com outra, cria-se algo como o exemplo abaixo, e a possibilidade de diversidade cresce exponencialmente.

San Francisco, nos Estados Unidos, tem a maior China Town fora da Ásia. Assim como São Paulo é o lugar mais japonês fora do Japão, San Francisco é o lugar mais chinês fora da China. Lá, pode-se observar exemplos de miscigenação cultural como este: uma cruz cristã no topo de um edifício de arquitetura tradicionalmente oriental.

Assim, num mundo fecundo à hibridização de culturas, outros exemplos vão surgindo:

A canção Sweet Lullaby, tradicionalmente uma manifestação étnica das Ilhas Salomão, foi gravada por um pesquisador na década de 70 e posteriormente utilizada pelo grupo musical francês chamado Deep Forest, que especializou-se num tipo de world music que consiste na mixagem de canções étnicas com música eletrônica. A canção provocou certa polêmica devido à questão dos direitos autorais, mas é um exemplo emblemático de hibridismo cultural.


A canção di yi bai ling yi ge da na (第一百零一个答案), da cantora chinesa Jiang Mei Qi (江美琪) tem clara influência do tango argentino. É algo sobre o que não poderia se pensar alguns séculos atrás.

E cultura híbrida é um termo que tem muita relação com o Brasil. Afinal, o que é a identidade brasileira senão uma total hibridização cultural?

Neste ponto, vale citar um exemplo pessoal. Durante a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, eu estava estudando nos Estados Unidos. Ao encontrar-me diariamente com estudantes do mundo todo, percebia vez ou outra uma certa segregação natural. No refeitório, por exemplo, havia a mesa dos chineses, a mesa dos europeus, a mesa dos latinos, e por aí vai. Nós, brasileiros, por outro lado, estávamos cada dia em uma das mesas, transitando por todo o mapa-múndi sem muita dificuldade.

Sobre isso, nosso presidente discursou ao Comitê Olímpico. O presidente Lula já deu algumas escorregadas em seus discursos várias vezes, é verdade, mas devo dizer que ele se saiu muito bem desta vez. “Olhando para os cinco aros do círculo olímpico, vejo neles o meu país, um Brasil de homens e mulheres de todos os continentes. Americanos, europeus, africanos, asiáticos, todos orgulhosos de suas origens e mais orgulhosos de se sentirem brasileiros”, disse ele, e acrescentou: “Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado. É o que faz nossa identidade.”


E por quê? O que nós temos de diferente?

Como escreveu Darcy Ribeiro no livro O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil, o contingente imigratório brasileiro foi “composto, principalmente, por 1,7 milhão de imigrantes portugueses, que se vieram juntar aos povoadores dos primeiros séculos, tornados dominantes pela multiplicação operada através do caldeamento com índios e negros. Seguem-se os italianos, com 1,6 milhão; os espanhóis, com 700 mil; os alemães, com mais de 250 mil; os japoneses, com cerca de 230 mil e outros contingentes menores...” Em outras palavras, veio gente de todos os cantos. E mais gente continua vindo, enquanto nós continuamos indo.

O mundo já não é tão grande como costumava ser. Fato. (G.P.)