Pray it up, pray, pray it up...
...e um feliz Natal a todos.
sábado, 18 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Sobre As Crônicas de Nárnia: A viagem do Peregrino da Alvorada
Baseado no livro homônimo, o filme As Crônicas de Nárnia: A viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: Voyage of the Dawn Treader, 2010) é um retorno ao mundo mágico criado pelo autor inglês Clive Staples Lewis. No longa, os irmãos Edmundo (Skandar Keynes) e Lúcia (Georgie Henley) voltam ao reino de Nárnia por meio de uma pintura pregada na parede da casa de seu primo Eustáquio (Will Poulter). Depois de caírem num oceano revolto, as crianças embarcam no navio que dá título à estória, o qual está levando o atual rei de Nárnia, o jovem Caspian (Ben Barnes), a uma jornada em busca de sete lordes exilados de seu reino.
Adornada com belíssimos efeitos 3D, a fotografia de Dante Spinotti é um dos pontos altos deste filme. Sobre o roteiro, contudo, não se pode dizer a mesma coisa. O tropeço na adaptação aconteceu quando se quis transformar a estória num épico, o que se mostra um erro, pois o material original, o livro de Lewis, não é um épico. É uma crônica. É por isso que o título é As Crônicas de Nárnia. Crônicas. Não épicos. Não é a mesma coisa.
Dessa forma, para dar fôlego extra à narrativa, foi necessário enxertar a trama com elementos completamente novos em relação à obra original, a começar por personagens como a mãe raptada pela fumaça verde (e toda a sua família, para não falar da própria fumaça verde), além das espadas dos sete fidalgos, que, de acordo com o roteiro (assinado por Stephen McFeely, Christopher Markus e Michael Petroni) deveriam ser colocadas na mesa de Aslam para vencer o mal que vem da ilha dos pesadelos. Primeiramente, esse “mal” não existe na obra de C. S. Lewis, uma vez que a referida ilha – no livro chamada de “a ilha onde os Sonhos se tornam realidade” – aparece em não mais do que cinco páginas. No livro, o atual rei de Nárnia não parte em sua viagem para vencer mal algum, mas sim por uma questão de honra.
O problema é que para amarrar todos os acontecimentos, foi preciso aumentar o nível de perigo a ponto de criar um épico que dê sequência aos dois primeiros filmes. Assim, cria-se uma urgência maior para se encontrar os sete lordes. Para suprir esse objetivo, contudo, perde-se um pouco da poesia do texto original, especialmente numa estória em que um navio navega rumo ao fim do mundo – num mundo em que céu e mar se unem num oceano de lírios brancos. Se a adaptação seguisse por um outro rumo, talvez tivéssemos uma obra capaz de abranger um pouco mais a busca pelos limites da existência, conceito esse que, na obra de Lewis, surge – veja só! – por meio de um rato e não de um homem.
O personagem em questão é o ratinho Ripchip, o qual, na minha opinião, é um dos melhores personagens de fantasia já criados até hoje (ao lado de Gandalf e da princesa Éowyn, de O Senhor dos Anéis, e do Morte, da série Discworld – e, antes que muitos se perguntem, sim, Morte é um homem).
Voltando ao Ripchip de Lewis, assim ele é descrito: “Podia-se dizer que era um rato, e era realmente. Mas um rato com cerca de sessenta centímetros de altura, caminhando apoiado nas patas traseiras. Atada à cabeça, por baixo de uma orelha e por cima de outra, exibia uma fina fita dourada na qual se prendia uma pena vermelha. (...) Apoiava a pata esquerda no punho de uma espada quase tão comprida quanto sua cauda.” É essa espada que Ripchip usa para defender veementemente sua honra, e é a mesma que, no livro, ele atira ao mar de lírios antes de ficar para sempre no país de Aslam. É a metáfora de alguém que, mesmo pequeno, lutou por seus princípios e chegou aonde sonhava. A força da metáfora, porém, se perde na adaptação, o que é uma pena.
O que não se perde, felizmente, é a referência cristã que permeia a obra de Lewis. Nesse filme em particular, a maior dessas referências acontece no seguinte diálogo (que pode ser acompanhado na pág. 514 do volume único de As Crônicas de Nárnia, lançado no Brasil pela editora Martins Fontes em 2005):
– Nosso mundo é Nárnia – soluçou Lúcia. – Como poderemos viver sem vê-lo?
– Você há de encontrar-me, querida – disse Aslam.
– Está também em nosso mundo? – perguntou Edmundo.
– Estou. Mas tenho outro nome. Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.
Esse outro nome ao qual Aslam se refere é Jesus. Isso ficou claro no primeiro filme, especialmente quando Aslam morre pelos pecados de um filho de Adão e ressuscita em seguida. É bom constatar que, apesar das diferenças existentes entre as linguagens literária e cinematográfica, essas referências – que são temas fundamentais à obra de Lewis – não passaram despercebidas. Quanto aos outros aspectos que se perderam, só podemos lamentar. (G.P.)
Mais críticas: Alice no País das Maravilhas
Adornada com belíssimos efeitos 3D, a fotografia de Dante Spinotti é um dos pontos altos deste filme. Sobre o roteiro, contudo, não se pode dizer a mesma coisa. O tropeço na adaptação aconteceu quando se quis transformar a estória num épico, o que se mostra um erro, pois o material original, o livro de Lewis, não é um épico. É uma crônica. É por isso que o título é As Crônicas de Nárnia. Crônicas. Não épicos. Não é a mesma coisa.
Dessa forma, para dar fôlego extra à narrativa, foi necessário enxertar a trama com elementos completamente novos em relação à obra original, a começar por personagens como a mãe raptada pela fumaça verde (e toda a sua família, para não falar da própria fumaça verde), além das espadas dos sete fidalgos, que, de acordo com o roteiro (assinado por Stephen McFeely, Christopher Markus e Michael Petroni) deveriam ser colocadas na mesa de Aslam para vencer o mal que vem da ilha dos pesadelos. Primeiramente, esse “mal” não existe na obra de C. S. Lewis, uma vez que a referida ilha – no livro chamada de “a ilha onde os Sonhos se tornam realidade” – aparece em não mais do que cinco páginas. No livro, o atual rei de Nárnia não parte em sua viagem para vencer mal algum, mas sim por uma questão de honra.
O problema é que para amarrar todos os acontecimentos, foi preciso aumentar o nível de perigo a ponto de criar um épico que dê sequência aos dois primeiros filmes. Assim, cria-se uma urgência maior para se encontrar os sete lordes. Para suprir esse objetivo, contudo, perde-se um pouco da poesia do texto original, especialmente numa estória em que um navio navega rumo ao fim do mundo – num mundo em que céu e mar se unem num oceano de lírios brancos. Se a adaptação seguisse por um outro rumo, talvez tivéssemos uma obra capaz de abranger um pouco mais a busca pelos limites da existência, conceito esse que, na obra de Lewis, surge – veja só! – por meio de um rato e não de um homem.
O personagem em questão é o ratinho Ripchip, o qual, na minha opinião, é um dos melhores personagens de fantasia já criados até hoje (ao lado de Gandalf e da princesa Éowyn, de O Senhor dos Anéis, e do Morte, da série Discworld – e, antes que muitos se perguntem, sim, Morte é um homem).
Voltando ao Ripchip de Lewis, assim ele é descrito: “Podia-se dizer que era um rato, e era realmente. Mas um rato com cerca de sessenta centímetros de altura, caminhando apoiado nas patas traseiras. Atada à cabeça, por baixo de uma orelha e por cima de outra, exibia uma fina fita dourada na qual se prendia uma pena vermelha. (...) Apoiava a pata esquerda no punho de uma espada quase tão comprida quanto sua cauda.” É essa espada que Ripchip usa para defender veementemente sua honra, e é a mesma que, no livro, ele atira ao mar de lírios antes de ficar para sempre no país de Aslam. É a metáfora de alguém que, mesmo pequeno, lutou por seus princípios e chegou aonde sonhava. A força da metáfora, porém, se perde na adaptação, o que é uma pena.
O que não se perde, felizmente, é a referência cristã que permeia a obra de Lewis. Nesse filme em particular, a maior dessas referências acontece no seguinte diálogo (que pode ser acompanhado na pág. 514 do volume único de As Crônicas de Nárnia, lançado no Brasil pela editora Martins Fontes em 2005):
– Nosso mundo é Nárnia – soluçou Lúcia. – Como poderemos viver sem vê-lo?
– Você há de encontrar-me, querida – disse Aslam.
– Está também em nosso mundo? – perguntou Edmundo.
– Estou. Mas tenho outro nome. Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.
Esse outro nome ao qual Aslam se refere é Jesus. Isso ficou claro no primeiro filme, especialmente quando Aslam morre pelos pecados de um filho de Adão e ressuscita em seguida. É bom constatar que, apesar das diferenças existentes entre as linguagens literária e cinematográfica, essas referências – que são temas fundamentais à obra de Lewis – não passaram despercebidas. Quanto aos outros aspectos que se perderam, só podemos lamentar. (G.P.)
Mais críticas: Alice no País das Maravilhas
Marcadores:
3D,
apreciação,
As Crônicas de Nárnia,
Aslam,
cinema,
crítica,
fantasia,
Jesus,
Lewis,
Nárnia,
Peregrino da Alvorada,
Voyage of the Dawn Treader
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Sobre caminhos
Todos vão a lugares diferentes,
mas seguem pelo mesmo caminho.
Todos vão ao mesmo lugar,
mas seguem por caminhos diferentes.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Haikai #5
No calor do campo,
libélulas esvoaçam
sozinhas no mundo.
libélulas esvoaçam
sozinhas no mundo.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sobre arsênio, fósforo e novas formas de vida
Segundo divulgação da Nasa, a agência espacial estadunidense, foi descoberto o primeiro microorganismo terrestre capaz de prosperar e se reproduzir utilizando o arsênio, que é um elemento químico tóxico para outras formas de vida. Ainda segundo a agência, a descoberta mudou a nossa compreensão sobre a vida na Terra – e, quem sabe, em outros lugares.
A descoberta foi fruto de uma pesquisa da bioquímica Felise Wolfe-Simon, que identificou no lago Mono, na Califórnia, uma nova bactéria chamada GFAJ-1. Conforme ela explicou numa reportagem publicada no site da agência especial, já eram conhecidas anteriormente bactérias capazes de respirar arsênio; a nova descoberta, contudo, vai além disso, pois os microorganismos descobertos são capazes de incorporar o arsênio em suas constituições celulares. Em outras palavras, eles podem ser feitos de arsênio!
Todavia, o arsênio não é um dos seis elementos fundamentais para a vida – muito pelo contrário, uma vez que age como um veneno para a maioria dos seres vivos. Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo, quando combinados, formam os compostos fundamentais para o que se entendia por vida até a descoberta de Wolfe-Simon. Dessa forma, o fósforo, sendo parte integrante do DNA, era até ontem considerado um elemento obrigatório para a vida. Durante a pesquisa, porém, os cientistas isolaram as bactérias numa solução salina e, gradativamente, substituíram o fósforo pelo arsênio. O resultado foi que as bactérias integraram a substância em suas estruturas celulares em substituição ao fósforo. Consequentemente, um dos elementos até então considerados fundamentais estava faltando, mas a vida não deixou de existir.
Isso muda a concepção que temos sobre o que é vida e abre novos horizontes para a astrobiologia, ciência que busca seres vivos fora da Terra. Até quinta-feira, quando se buscava vida no universo, procurava-se pelos seis elementos fundamentais, mas a descoberta da Nasa mostrou que é possível a existência de um ser vivo baseado em outros elementos. Como identificá-lo, então? A pergunta é: nós seríamos capazes de reconhecer um ser vivo tão diferente mesmo que nos deparássemos com ele?
Essa descoberta abre não apenas novas possibilidades, mas também uma lacuna em nossa compreensão: afinal, o que faz com que nós sejamos o que nós somos? Ainda que saibamos que seja possível existir vida baseada em elementos diferentes daqueles que nos constituem, ainda não somos capazes de definir com precisão o que é a vida. E também não somos capazes de criá-la sinteticamente. Podemos, sim, sintetizar proteínas e outras substâncias, mas como torná-las funcionais? Ao que parece, falta ainda descobrir como acender a última centelha. (G.P.)
A descoberta foi fruto de uma pesquisa da bioquímica Felise Wolfe-Simon, que identificou no lago Mono, na Califórnia, uma nova bactéria chamada GFAJ-1. Conforme ela explicou numa reportagem publicada no site da agência especial, já eram conhecidas anteriormente bactérias capazes de respirar arsênio; a nova descoberta, contudo, vai além disso, pois os microorganismos descobertos são capazes de incorporar o arsênio em suas constituições celulares. Em outras palavras, eles podem ser feitos de arsênio!
Todavia, o arsênio não é um dos seis elementos fundamentais para a vida – muito pelo contrário, uma vez que age como um veneno para a maioria dos seres vivos. Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo, quando combinados, formam os compostos fundamentais para o que se entendia por vida até a descoberta de Wolfe-Simon. Dessa forma, o fósforo, sendo parte integrante do DNA, era até ontem considerado um elemento obrigatório para a vida. Durante a pesquisa, porém, os cientistas isolaram as bactérias numa solução salina e, gradativamente, substituíram o fósforo pelo arsênio. O resultado foi que as bactérias integraram a substância em suas estruturas celulares em substituição ao fósforo. Consequentemente, um dos elementos até então considerados fundamentais estava faltando, mas a vida não deixou de existir.
Isso muda a concepção que temos sobre o que é vida e abre novos horizontes para a astrobiologia, ciência que busca seres vivos fora da Terra. Até quinta-feira, quando se buscava vida no universo, procurava-se pelos seis elementos fundamentais, mas a descoberta da Nasa mostrou que é possível a existência de um ser vivo baseado em outros elementos. Como identificá-lo, então? A pergunta é: nós seríamos capazes de reconhecer um ser vivo tão diferente mesmo que nos deparássemos com ele?
Essa descoberta abre não apenas novas possibilidades, mas também uma lacuna em nossa compreensão: afinal, o que faz com que nós sejamos o que nós somos? Ainda que saibamos que seja possível existir vida baseada em elementos diferentes daqueles que nos constituem, ainda não somos capazes de definir com precisão o que é a vida. E também não somos capazes de criá-la sinteticamente. Podemos, sim, sintetizar proteínas e outras substâncias, mas como torná-las funcionais? Ao que parece, falta ainda descobrir como acender a última centelha. (G.P.)
Marcadores:
arsênio,
astrobiologia,
bioquímica,
DNA,
fósforo,
GFAJ-1,
Nasa,
o que é vida?,
quem somos nós?,
ser vivo,
vida,
Wolfe-Simon
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Sobre Jornalismo aqui e acolá
“Poeticamente podia-se dizer que o Jornalismo é a vida, tal como é contada nas notícias de nascimentos e de mortes (...). É a vida em todas as suas dimensões, como uma enciclopédia.” Assim disse o acadêmico português Nelson Traquina em seu livro Teorias do Jornalismo.
Ora, se o jornalismo é a vida, o jornalista é o cara que conta todas essas histórias de nascimentos, mortes e tudo o que acontece no meio. Jornalistas são, portanto, contadores de histórias, e histórias são, em última análise, interpretações. Fazer jornalismo, dessa forma, é interpretar a realidade e transformá-la numa narrativa.
No Brasil, porém, sinto que o jornalismo abusa do declaracionismo, digamos assim. Parece-me que a maioria dos jornalistas brasileiros simplesmente joga seu texto entre duas aspas, citando o que alguém falou e tirando assim o peso de suas próprias costas, o que certamente diminui o risco de levar um processo – ou quem sabe uma porretada na nuca num beco escuro. Talvez por uma questão de autopreservação, muitos de nossos jornalistas se ocupam em responder as perguntas do lead (o quê, quem, quando, onde, como e por quê?) e, passado o primeiro parágrafo, tudo o que resta são blocos de citações, e isso é tudo.
Como se não bastasse, penso também que muitos dos nossos jornalistas preocupam-se demais em manter em seus textos uma linguagem sóbria e séria que diz: “Olhe para mim, eu sou um cara culto, ok? Eu escrevo enquanto bebo whisky e afago o meu cavanhaque grisalho”, ou então – numa versão mais esquerdista – “Eu já li O Capital três vezes só este ano, nunca comi um Big Mac e só ouço música popular brasileira, de preferência escrita por alguém que foi exilado durante a ditadura”. Ok, estamos nos desviando da questão. O fato é que, comparativamente, sinto falta de criatividade em nosso jornalismo.
Lendo o New York Times, por sua vez, sinto que lá o jornalista tem mais autonomia para reportar o que ele presenciou – e não apenas o que alguém disse. Além disso, parece que há mais espaço para que o autor salpique no texto o seu estilo literário, o que torna a narrativa mais densa e indiscutivelmente mais saborosa. Enquanto aqui as fontes soam muitas vezes mecânicas, no jornalismo ao qual o New York Times aparentemente se propõe, elas soam mais humanas, como personagens de um livro cuja trama é escrita diariamente. E jornalismo não é isso?
Aqui vai um exemplo: No dia 15 de setembro, o New York Times publicou uma reportagem sobre a queda da influência política do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e a ascensão da Liga Norte (o partido político oposto). O texto, assinado por Rachel Donadio, foi intitulado A New Power Broker Rises in Italy (numa tradução livre Uma nova influência política cresce na Itália). Segue um trecho da reportagem em questão:
“All of which has empowered one man in particular: Umberto Bossi, leader of the Northern League, who is known for extra salty language, wearing tank tops and continuing to smoke cigars even though a stroke took away a good part of his voice.”
Traduzindo:
“Tudo isso fortaleceu um homem em particular: Umberto Bossi, líder da Liga do Norte, que é conhecido pelo seu palavreado pungente, por vestir camisetas regatas e continuar a fumar charutos ainda que um derrame tenha tirado boa parte de sua voz.”
Palavreado pungente, camisetas regatas e charutos. Está aí uma descrição que, no Brasil, seria encontrada mais nos romances do que nos jornais. É dessa irreverência que eu estou falando. Mesmo que não haja uma foto, você é capaz de enxergar o personagem em suas idiossincrasias caricatas.
É difícil dizer se um jornalismo é pior ou melhor do que o outro – apesar de eu ter, é claro, uma opinião pessoal. Ouso dizer, contudo, que muitos dos profissionais que fazem o nosso jornalismo orgulham-se em defender a bandeira da tão sonhada “objetividade”. A criatividade começa a morrer aí. Será que ser objetivo é apenas copiar num caderninho – ou num smartphone, que seja – o que o entrevistado disse e reproduzir entre aspas nas páginas de um jornal? Se é isso que nós estamos fazendo, meu amigo, então nós não passamos de gravadores que sabem datilografar.
Sinto que no jornalismo brasileiro falta espaço para o feeling do repórter, aquele olhar poético e sagaz que vai passar para o leitor não só meia dúzia de palavras entre duas aspas, mas fazer com que o cara de fato imagine uma cena, quase como faz um escritor. Na minha modesta opinião, vale a pena pensar sobre isso. (G.P.)
Marcadores:
Brasil,
comparação,
criatividade,
declaracionismo,
Estados Unidos,
EUA,
jornalismo,
jornalismo brasileiro,
jornalismo nos EUA,
jornalista,
lead,
narrativa,
objetividade,
The New York Times,
Traquina
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Sobre Hatsune Miku e um futuro (não tão) distante
Hatsune Miku tem 16 anos, mede 1,58 m de altura e pesaria 42 kg se não fosse uma projeção. Criada pela Crypton Future Media Inc., empresa de produção fonográfica localizada em Sapporo, no norte do Japão, Hatsune foi desenvolvida por meio da tecnologia Vocaloid, que cria vozes sintéticas e permite ao usuário compor músicas e adicionar interpretações vocais a elas sem a necessidade de um intérprete real. É um fenômeno novo na indústria audiovisual, mas vai além. Pois Hatsune Miku não é apenas uma voz; ela é uma diva completa. Baseada no design dos personagens do mangá japonês, ela escapa das telas de computadores e Ipods para cair num ambiente bem mais real, digamos assim. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Tenho de concordar que, neste caso, é verdade. Para entender, nada melhor do que assistir ao vídeo do show de Hatsune "ao vivo":
Hatsune Miku é uma interface entre o mundo binário e o mundo tridimensional. Ao ser inserida num palco diante de centenas de espectadores, porém, ela deixa de ser uma simples projeção para se tornar o simulacro de uma cantora pop. Nesse ambiente, ela é capaz de despertar no público as mesmas emoções e sensações que uma cantora real despertaria. Talvez até mais, considerando-se o seu design de grande apelo. Da interação entre a diva holográfica e o público de carne e osso, nasce um novo tipo de fetichismo – que dificilmente seria criado num local que não fosse o Japão. E ela faz a gente se perguntar: o que é real?
Esse tipo de projeção não é uma novidade tão inédita no entretenimento. Atrações da Disney já fazem uso desse recurso há algum tempo. A novidade, porém, é a realização de um show completo estrelado por uma cantora que não existe, cujas canções não foram gravadas na íntegra por uma dubladora real, mas geradas por um programa de computador. Quando o público se relaciona com um software da mesma forma que o faz com uma pessoa real, isso faz a gente se perguntar qual é o limite na relação entre homem e máquina.
Esse tipo de tecnologia encontra críticas ocasionais, principalmente vindas das gerações mais antigas, que se perguntam o que acontecerá com as relações interpessoais no futuro. Bem, por enquanto Hatsune Miku ainda precisa do fator humano presente na criatividade do compositor, pois, obviamente, ela não cria suas próprias músicas. Mas o que vai acontecer quando novos softwares permitirem às máquinas tomarem decisões por si próprias? Pode parecer ficção científica, mas isso já acontece com os robôs que viajam em Marte, por exemplo, que são capazes de analisar o ambiente e tomar algumas decisões sem precisar da autorização de seus controladores da Nasa.
Imaginemos então um mundo em que máquinas, ou suas representações holográficas, tomem decisões e se reproduzam como faz o ser humano. Dizemos – pelo menos deste lado do mundo – que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Em teoria, podemos supor então que nessa “semelhança” está incluído o potencial que o homem tem de criar um outro “ser” à imagem e semelhança do próprio homem. Quando o avanço tecnológico culminar num andróide capaz de tomar suas próprias decisões e fazer cópias de si mesmo, talvez seja impossível diferenciá-lo de um ser vivo. Até lá, Hatsune Miku nos dá uma agradável prévia. (G.P.)
Hatsune Miku é uma interface entre o mundo binário e o mundo tridimensional. Ao ser inserida num palco diante de centenas de espectadores, porém, ela deixa de ser uma simples projeção para se tornar o simulacro de uma cantora pop. Nesse ambiente, ela é capaz de despertar no público as mesmas emoções e sensações que uma cantora real despertaria. Talvez até mais, considerando-se o seu design de grande apelo. Da interação entre a diva holográfica e o público de carne e osso, nasce um novo tipo de fetichismo – que dificilmente seria criado num local que não fosse o Japão. E ela faz a gente se perguntar: o que é real?
Esse tipo de projeção não é uma novidade tão inédita no entretenimento. Atrações da Disney já fazem uso desse recurso há algum tempo. A novidade, porém, é a realização de um show completo estrelado por uma cantora que não existe, cujas canções não foram gravadas na íntegra por uma dubladora real, mas geradas por um programa de computador. Quando o público se relaciona com um software da mesma forma que o faz com uma pessoa real, isso faz a gente se perguntar qual é o limite na relação entre homem e máquina.
Esse tipo de tecnologia encontra críticas ocasionais, principalmente vindas das gerações mais antigas, que se perguntam o que acontecerá com as relações interpessoais no futuro. Bem, por enquanto Hatsune Miku ainda precisa do fator humano presente na criatividade do compositor, pois, obviamente, ela não cria suas próprias músicas. Mas o que vai acontecer quando novos softwares permitirem às máquinas tomarem decisões por si próprias? Pode parecer ficção científica, mas isso já acontece com os robôs que viajam em Marte, por exemplo, que são capazes de analisar o ambiente e tomar algumas decisões sem precisar da autorização de seus controladores da Nasa.
Imaginemos então um mundo em que máquinas, ou suas representações holográficas, tomem decisões e se reproduzam como faz o ser humano. Dizemos – pelo menos deste lado do mundo – que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Em teoria, podemos supor então que nessa “semelhança” está incluído o potencial que o homem tem de criar um outro “ser” à imagem e semelhança do próprio homem. Quando o avanço tecnológico culminar num andróide capaz de tomar suas próprias decisões e fazer cópias de si mesmo, talvez seja impossível diferenciá-lo de um ser vivo. Até lá, Hatsune Miku nos dá uma agradável prévia. (G.P.)
Marcadores:
Crypton Future Media,
diva,
fetichismo,
hatsune,
Hatsune Miku,
interface,
Japão,
miku,
Project Diva,
tecnologia,
Vocaloid,
初音ミク
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
É um mundo pequeno, afinal das contas...
Obrigado a todos pelas visitas internacionais que o blog tem recebido até o momento. Registro meus agradecimentos aos 20 países que já passaram por aqui, incluindo as visitas não registradas.
Thank you all for the international visits that the blog has received until now. I register my thanks to the 20 coutries which have been here, including the non-registered visits.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Narrativa Visual: China ontem e hoje
Viajar pela China é, sob vários aspectos, caminhar entre o antigo e o novo. Trata-se de um país que passa por intensas e visíveis transformações em todos os sentidos, num ritmo que dificilmente pode ser observado em outro lugar do planeta. Nesta fotorreportagem, o leitor poderá apreciar imagens que marcam o contraste de uma nação que sempre despertou a curiosidade do mundo. Aprecie! (G.P.)
Clique nas imagens para ampliar.
Os textos referentes a cada página estão disponíveis em inglês embaixo de cada uma delas.
Visual Storytelling: China yesterday and today
In many ways, travelling in China is a walk among the old and the new. That’s a country which faces all kinds of intense and visible transformations, in a pace that can hardly be seen anywhere else on the planet. In this photo-article, the reader will be able to observe images which represent the contrast of a nation that has always aroused world’s curiosity. Enjoy! (G.P.)
Click the images to enlarge.
The English version for the text of each page is available under the pictures.
Clique nas imagens para ampliar.
Os textos referentes a cada página estão disponíveis em inglês embaixo de cada uma delas.
Visual Storytelling: China yesterday and today
In many ways, travelling in China is a walk among the old and the new. That’s a country which faces all kinds of intense and visible transformations, in a pace that can hardly be seen anywhere else on the planet. In this photo-article, the reader will be able to observe images which represent the contrast of a nation that has always aroused world’s curiosity. Enjoy! (G.P.)
Click the images to enlarge.
The English version for the text of each page is available under the pictures.
Around Beijing, the Great Wall of China rests upon the mountains like a sleeping dragon. In the center of the capital, the waters reflect a pavilion of the entrance to the Forbidden City, where the emperor and his entourage lived for centuries. The Temple of Heaven was the place where the emperor went to burn incense and take part in other religious ceremonies.
One night in Beijing, 我留下许多情。
不管你爱与不爱都是历史的尘埃陈升。
(Chen Sheng and Liu Jiahui)
"One night in Beijing, and I leave behind some feeling.
It doesn’t matter if you love it or not, it’s covered by the dust of history. "
One night in Beijing, 我留下许多情。
不管你爱与不爱都是历史的尘埃陈升。
(Chen Sheng and Liu Jiahui)
"One night in Beijing, and I leave behind some feeling.
It doesn’t matter if you love it or not, it’s covered by the dust of history. "
大海 航行 靠 舵手, 干 革命 靠 毛泽东 思想.
"If you want to sail the sea, you must trust the helmsman; if you want to undertake a revolution, you must trust President Mao."
That's a famous Chinese sentence in support to the revolutionary leader Mao Zedong (1893-1976), who founded the Chinese Communist Party and started the Cultural Revolution.
Clockwise: a communist monument in Guiyang, a wall adorned with communist art in the main area of Shanghai, a locked door in the Forbidden City, and Mao's portrait on the Tiananmen Square in Beijing.
Closed doors
Mao ruled China from 1949 to 1976. After his death, Deng Xiaoping became the President, being declared as responsible for the economic opening of China.
"If you want to sail the sea, you must trust the helmsman; if you want to undertake a revolution, you must trust President Mao."
That's a famous Chinese sentence in support to the revolutionary leader Mao Zedong (1893-1976), who founded the Chinese Communist Party and started the Cultural Revolution.
Clockwise: a communist monument in Guiyang, a wall adorned with communist art in the main area of Shanghai, a locked door in the Forbidden City, and Mao's portrait on the Tiananmen Square in Beijing.
Closed doors
Mao ruled China from 1949 to 1976. After his death, Deng Xiaoping became the President, being declared as responsible for the economic opening of China.
Open doors in the Forbidden City
Detail of the Water Cube, the aquatic stadium of the 2008 Olympic Games
Mc Donald’s in Chengdu, the capital of the Sichuan province
The new and the old in Shanghai
One world, one dream
Under this theme, Beijing hosted the Olympic Games in 2008. Among the Olympic constructions, the highlights were on the National Stadium, known as the Bird's Nest. The event received an investment of $ 40 billion, and was a showcase of the new China to the world, preparing the way to the realization of the World Expo 2010 in Shanghai.
Under this theme, Beijing hosted the Olympic Games in 2008. Among the Olympic constructions, the highlights were on the National Stadium, known as the Bird's Nest. The event received an investment of $ 40 billion, and was a showcase of the new China to the world, preparing the way to the realization of the World Expo 2010 in Shanghai.
World Expo 2010
"Better City, Better Life" is the theme for the 2010 World Expo, an event held since 1851 which includes the participation of 242 countries and international organizations. Yet today, more than 50 cities have hosted the expo. To host the exhibition in Shanghai, China invested U.S. $ 45 billion. A total amount of 70 million visitors are expected until the enclosure, which will happen on October 31.
The global capital of the 21st century
After hosting the World Expo, Shanghai consolidates its status as a global city, a title given to major cities with great importance for the global economic system, like New York, Paris, Tokyo and London, for example. The ambition of Shanghai, however, does not stop there: the city intends to be the global capital of the 21st century.
"Better City, Better Life" is the theme for the 2010 World Expo, an event held since 1851 which includes the participation of 242 countries and international organizations. Yet today, more than 50 cities have hosted the expo. To host the exhibition in Shanghai, China invested U.S. $ 45 billion. A total amount of 70 million visitors are expected until the enclosure, which will happen on October 31.
The global capital of the 21st century
After hosting the World Expo, Shanghai consolidates its status as a global city, a title given to major cities with great importance for the global economic system, like New York, Paris, Tokyo and London, for example. The ambition of Shanghai, however, does not stop there: the city intends to be the global capital of the 21st century.
Mais sobre a China/More about China:
World Expo, Jiuzhaigou, Vila de Xijiang Miao
Mais imagens/More pictures: Flickr
Marcadores:
China,
fotojornalismo,
fotorreportagem,
jornalismo,
Jornalismo de viagem,
narrativa visual,
Olimpíadas,
Pequim,
photojournalism,
reportagem fotográfica,
travel,
travel-writer,
World Expo,
Xangai
sábado, 9 de outubro de 2010
Sobre Jiuzhaigou
Um tesouro escondido nas alturas
Após apaixonar-se profundamente por uma deusa, um garoto ofereceu a ela um espelho feito de vento, o único presente que se equiparava à sua beleza. A deusa, por sua vez, quebrou o espelho em inúmeros pedaços, e cada um deles transformou-se num magnífico lago espelhado.
A lenda em questão narra o mito por trás da criação de Jiuzhaigou, complexo de três vales em forma de Y localizado ao Norte da província de Sichuan, na China, o qual se estende por mais de 700 quilômetros quadrados e, fazendo jus à lenda, é recheado de lagos coloridos. Lagos esses que transformam o local num patrimônio da humanidade e num dos cartões postais da China. Hoje, tem-se a chance de desbravá-lo.
Um voo de tirar o fôlego
Para chegar aos vales de Jiuzhaigou, é preciso voar primeiro para alguma localidade próxima. O local está situado a 330km de Chengdu, a capital da província de Sichuan – que ficou famosa mundialmente depois do grande terremoto em 2008. Todavia, apesar de não estar consideravelmente longe, o acesso por terra é demorado devido às condições geográficas locais; partindo da capital, uma viagem terrestre através das montanhas pode levar mais de 10 horas. Por isso, mais fácil é voar de Chengdu até o aeroporto de Jiuzhaigou Huanglong. O voo leva cerca de 40 minutos e, ao se pousar num aeroporto localizado 3400 metros acima do nível do mar, tem-se uma vista de tirar o fôlego, especialmente quando se voa por entre montanhas salpicadas de neve e cobertas de pinheiros. Uma vez em terra, Jiuzhaigou fica a cerca de 90 km do aeroporto.
A partir daí, segue-se por uma estrada cheia de curvas e desfiladeiros. Segundo dados oficiais, a altitude em Jiuzhaigou varia de 2000 metros acima do nível do mar na entrada do parque a mais de 4500 metros nos cumes das montanhas, o que possibilita a existência de uma longa cadeia de paisagens e ecossistemas estratificados. Devido à altitude elevada, os guias recomendam que não se faça atividades físicas bruscas. Idosos e pessoas com doenças respiratórias ou vasculares devem ter cuidado redobrado. Nem todos sentem a diferença, é verdade, mas é possível ver pessoas utilizando bombas de oxigênio.
Beleza natural que parece magia
É impossível separar os lagos da aura mística do lugar. Num deles, por exemplo, as lendas dizem que uma divindade derrubou sua maquiagem por descuido ao utilizar a superfície como espelho. É daí que teriam vindo os magníficos tons de azul e verde das águas do lago conhecido como Colorful Pool (ou Piscina Colorida).
As cores deslumbrantes, segundo a lenda, surgiram
quando uma divindade derrubou sua maquiagem nas águas
De fato, o reflexo nas águas é algo que merece destaque por si só. Não seria de se admirar que suas superfícies plácidas, ocasionalmente beijadas pelo vento, fossem realmente usadas como espelho em tempos antigos. A limpidez da água é outro fator importante; alguns dos lagos têm nove metros de profundidade, mas a água é tão límpida que é possível enxergar os peixes e troncos caídos em suas profundezas.
Talvez seja por isso que um desses lagos tenha sido escolhido como cenário do filme Herói, dirigido pelo renomado Zhang Yimou e estrelado por Jet Li e Zhang Ziyi, em 2002. No longa metragem, a superfície espelhada do Lago do Bambu-Flecha reflete de forma poética as acrobacias aéreas do kung fu.
Não é por menos que o Parque Nacional de Jiuzhaigou é considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação) desde 1992. O título é conferido apenas a localidades de extrema importância, seja natural ou cultural, e a China, tanto devido à sua extensão territorial como à sua história milenar, é um dos países com maior quantidade de patrimônios da humanidade registrados. Inclusive, outro desses patrimônios, a Reserva Natural de Huanglong, encontra-se a poucos quilômetros ao Sul de Jiuzhaigou e é outra parada obrigatória para quem se aventura pelas montanhas de Sichuan. Lá as atrações são as piscinas naturais de formação calcária que se estendem magnificamente por entre a floresta de coníferas.
Um vale de riqueza cultural
Além da beleza natural, outro atrativo de Jiuzhaigou é a oportunidade de presenciar e experimentar um pouco da cultura tibetana. A China está dividida oficialmente em 56 etnias, sendo que o povo tibetano é uma delas. O próprio nome Jiuzhaigou, que em chinês significa “Vale dos Nove Vilarejos” faz referência às vilas tibetanas espalhadas pelos vales. Uma vez que Sichuan faz divisa com o Tibete, a região é uma das áreas onde se pode vivenciar manifestações culturais únicas: desde os costumes tradicionais do budismo tibetano, passando pela música característica que parece ter sido criada especialmente para ressoar nos vales rochosos e chegando, é claro, à gastronomia, que inclui carne e leite de iaque – aquele bovino de pelo longo característico do Himalaia. Além disso, a culinária tibetana incorpora ingredientes da medicina tradicional chinesa.
Um vale de riqueza cultural
Além da beleza natural, outro atrativo de Jiuzhaigou é a oportunidade de presenciar e experimentar um pouco da cultura tibetana. A China está dividida oficialmente em 56 etnias, sendo que o povo tibetano é uma delas. O próprio nome Jiuzhaigou, que em chinês significa “Vale dos Nove Vilarejos” faz referência às vilas tibetanas espalhadas pelos vales. Uma vez que Sichuan faz divisa com o Tibete, a região é uma das áreas onde se pode vivenciar manifestações culturais únicas: desde os costumes tradicionais do budismo tibetano, passando pela música característica que parece ter sido criada especialmente para ressoar nos vales rochosos e chegando, é claro, à gastronomia, que inclui carne e leite de iaque – aquele bovino de pelo longo característico do Himalaia. Além disso, a culinária tibetana incorpora ingredientes da medicina tradicional chinesa.
Cultura tibetana em Jiuzhaigou
Rodar as rodas de oração, segundo a tradição tibetana,
traz bons augúrios; e a echarpe de seda branca é um sinal de boas vindas
traz bons augúrios; e a echarpe de seda branca é um sinal de boas vindas
Ainda que hoje se conheça registros de pessoas habitando Jiuzhaigou há milhares de anos, foi apenas em 1972 que o local foi oficialmente descoberto pelo governo chinês. Em termos históricos, especialmente quando se trata da China e suas dinastias milenares, é uma descoberta muito recente. Em termos geológicos, então, não é mais do que um piscar de olhos. Por muito tempo, Jiuzhaigou permaneceu um tesouro escondido nas alturas e ainda hoje, é um refúgio para aqueles que apreciam paisagens exuberantes e imaculadas. (G.P.)
Mais sobre a China:
World Expo, Vila de Xijiang Miao, China ontem e hoje
Mais sobre a China:
World Expo, Vila de Xijiang Miao, China ontem e hoje
Marcadores:
budismo,
China,
cultura,
cultural heritage,
Jiuzhaigou,
Jornalismo de viagem,
patrimônio da humanidade,
Sichuan,
travel-writer,
turismo,
UNESCO,
中国,
九寨沟,
四川,
天路
domingo, 3 de outubro de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)







