sexta-feira, 29 de outubro de 2010

É um mundo pequeno, afinal das contas...

Obrigado a todos pelas visitas internacionais que o blog tem recebido até o momento. Registro meus agradecimentos aos 20 países que já passaram por aqui, incluindo as visitas não registradas.

Thank you all for the international visits that the blog has received until now. I register my thanks to the 20 coutries which have been here, including the non-registered visits.



Thank you; merci beaucoup; gracias; धन्यवाद; 감사합니다; 谢谢; Спасибо; danke; ありがとうございます; grazie; آپ کا شکریہ ; obrigado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Narrativa Visual: China ontem e hoje

Viajar pela China é, sob vários aspectos, caminhar entre o antigo e o novo. Trata-se de um país que passa por intensas e visíveis transformações em todos os sentidos, num ritmo que dificilmente pode ser observado em outro lugar do planeta. Nesta fotorreportagem, o leitor poderá apreciar imagens que marcam o contraste de uma nação que sempre despertou a curiosidade do mundo. Aprecie! (G.P.)

Clique nas imagens para ampliar.
Os textos referentes a cada página estão disponíveis em inglês embaixo de cada uma delas.

Visual Storytelling: China yesterday and today
In many ways, travelling in China is a walk among the old and the new. That’s a country which faces all kinds of intense and visible transformations, in a pace that can hardly be seen anywhere else on the planet. In this photo-article, the reader will be able to observe images which represent the contrast of a nation that has always aroused world’s curiosity. Enjoy! (G.P.)

Click the images to enlarge.
The English version for the text of each page is available under the pictures.



Around Beijing, the Great Wall of China rests upon the mountains like a sleeping dragon. In the center of the capital, the waters reflect a pavilion of the entrance to the Forbidden City, where the emperor and his entourage lived for centuries. The Temple of Heaven was the place where the emperor went to burn incense and take part in other religious ceremonies.

One night in Beijing, 我留下许多情。
不管你爱与不爱都是历史的尘埃陈升。
(Chen Sheng and Liu Jiahui)

"One night in Beijing, and I leave behind some feeling.
It doesn’t matter if you love it or not, it’s covered by the dust of history. "



大海 航行 靠 舵手, 干 革命 靠 毛泽东 思想.

"If you want to sail the sea, you must trust the helmsman; if you want to undertake a revolution, you must trust President Mao."

That's a famous Chinese sentence in support to the revolutionary leader Mao Zedong (1893-1976), who founded the Chinese Communist Party and started the Cultural Revolution.

Clockwise: a communist monument in Guiyang, a wall adorned with communist art in the main area of Shanghai, a locked door in the Forbidden City, and Mao's portrait on the Tiananmen Square in Beijing.

Closed doors
Mao ruled China from 1949 to 1976. After his death, Deng Xiaoping became the President, being declared as responsible for the economic opening of China.




Open doors in the Forbidden City

Detail of the Water Cube, the aquatic stadium of the 2008 Olympic Games


Mc Donald’s
in Chengdu, the capital of the Sichuan province


The new and the old in Shanghai




One world, one dream
Under this theme, Beijing hosted the Olympic Games in 2008. Among the Olympic constructions, the highlights were on the National Stadium, known as the Bird's Nest. The event received an investment of $ 40 billion, and was a showcase of the new China to the world, preparing the way to the realization of the World Expo 2010 in Shanghai.



World Expo 2010
"Better City, Better Life" is the theme for the 2010 World Expo, an event held since 1851 which includes the participation of 242 countries and international organizations. Yet today, more than 50 cities have hosted the expo. To host the exhibition in Shanghai, China invested U.S. $ 45 billion. A total amount of 70 million visitors are expected until the enclosure, which will happen on October 31.


The global capital of the 21st century
After hosting the World Expo, Shanghai consolidates its status as a global city, a title given to major cities with great importance for the global economic system, like New York, Paris, Tokyo and London, for example. The ambition of Shanghai, however, does not stop there: the city intends to be the global capital of the 21st century.


Mais sobre a China/More about China:
World Expo, Jiuzhaigou, Vila de Xijiang Miao

Mais imagens/More pictures: Flickr

sábado, 9 de outubro de 2010

Sobre Jiuzhaigou


Um tesouro escondido nas alturas


Após apaixonar-se profundamente por uma deusa, um garoto ofereceu a ela um espelho feito de vento, o único presente que se equiparava à sua beleza. A deusa, por sua vez, quebrou o espelho em inúmeros pedaços, e cada um deles transformou-se num magnífico lago espelhado.



A lenda em questão narra o mito por trás da criação de Jiuzhaigou, complexo de três vales em forma de Y localizado ao Norte da província de Sichuan, na China, o qual se estende por mais de 700 quilômetros quadrados e, fazendo jus à lenda, é recheado de lagos coloridos. Lagos esses que transformam o local num patrimônio da humanidade e num dos cartões postais da China. Hoje, tem-se a chance de desbravá-lo.

Um voo de tirar o fôlego
Para chegar aos vales de Jiuzhaigou, é preciso voar primeiro para alguma localidade próxima. O local está situado a 330km de Chengdu, a capital da província de Sichuan – que ficou famosa mundialmente depois do grande terremoto em 2008. Todavia, apesar de não estar consideravelmente longe, o acesso por terra é demorado devido às condições geográficas locais; partindo da capital, uma viagem terrestre através das montanhas pode levar mais de 10 horas. Por isso, mais fácil é voar de Chengdu até o aeroporto de Jiuzhaigou Huanglong. O voo leva cerca de 40 minutos e, ao se pousar num aeroporto localizado 3400 metros acima do nível do mar, tem-se uma vista de tirar o fôlego, especialmente quando se voa por entre montanhas salpicadas de neve e cobertas de pinheiros. Uma vez em terra, Jiuzhaigou fica a cerca de 90 km do aeroporto.

A partir daí, segue-se por uma estrada cheia de curvas e desfiladeiros. Segundo dados oficiais, a altitude em Jiuzhaigou varia de 2000 metros acima do nível do mar na entrada do parque a mais de 4500 metros nos cumes das montanhas, o que possibilita a existência de uma longa cadeia de paisagens e ecossistemas estratificados. Devido à altitude elevada, os guias recomendam que não se faça atividades físicas bruscas. Idosos e pessoas com doenças respiratórias ou vasculares devem ter cuidado redobrado. Nem todos sentem a diferença, é verdade, mas é possível ver pessoas utilizando bombas de oxigênio.




Beleza natural que parece magia
É impossível separar os lagos da aura mística do lugar. Num deles, por exemplo, as lendas dizem que uma divindade derrubou sua maquiagem por descuido ao utilizar a superfície como espelho. É daí que teriam vindo os magníficos tons de azul e verde das águas do lago conhecido como Colorful Pool (ou Piscina Colorida).


As cores deslumbrantes, segundo a lenda, surgiram
quando uma divindade derrubou sua maquiagem nas águas

De fato, o reflexo nas águas é algo que merece destaque por si só. Não seria de se admirar que suas superfícies plácidas, ocasionalmente beijadas pelo vento, fossem realmente usadas como espelho em tempos antigos. A limpidez da água é outro fator importante; alguns dos lagos têm nove metros de profundidade, mas a água é tão límpida que é possível enxergar os peixes e troncos caídos em suas profundezas.

Talvez seja por isso que um desses lagos tenha sido escolhido como cenário do filme Herói, dirigido pelo renomado Zhang Yimou e estrelado por Jet Li e Zhang Ziyi, em 2002. No longa metragem, a superfície espelhada do Lago do Bambu-Flecha reflete de forma poética as acrobacias aéreas do kung fu.





Arrow Bamboo Lake: cenário de cinema

Não é por menos que o Parque Nacional de Jiuzhaigou é considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação) desde 1992. O título é conferido apenas a localidades de extrema importância, seja natural ou cultural, e a China, tanto devido à sua extensão territorial como à sua história milenar, é um dos países com maior quantidade de patrimônios da humanidade registrados. Inclusive, outro desses patrimônios, a Reserva Natural de Huanglong, encontra-se a poucos quilômetros ao Sul de Jiuzhaigou e é outra parada obrigatória para quem se aventura pelas montanhas de Sichuan. Lá as atrações são as piscinas naturais de formação calcária que se estendem magnificamente por entre a floresta de coníferas.

Um vale de riqueza cultural
Além da beleza natural, outro atrativo de Jiuzhaigou é a oportunidade de presenciar e experimentar um pouco da cultura tibetana. A China está dividida oficialmente em 56 etnias, sendo que o povo tibetano é uma delas. O próprio nome Jiuzhaigou, que em chinês significa “Vale dos Nove Vilarejos” faz referência às vilas tibetanas espalhadas pelos vales. Uma vez que Sichuan faz divisa com o Tibete, a região é uma das áreas onde se pode vivenciar manifestações culturais únicas: desde os costumes tradicionais do budismo tibetano, passando pela música característica que parece ter sido criada especialmente para ressoar nos vales rochosos e chegando, é claro, à gastronomia, que inclui carne e leite de iaque – aquele bovino de pelo longo característico do Himalaia. Além disso, a culinária tibetana incorpora ingredientes da medicina tradicional chinesa.


Cultura tibetana em Jiuzhaigou


Rodar as rodas de oração, segundo a tradição tibetana,
traz bons augúrios; e a echarpe de seda branca é um sinal de boas vindas




Ainda que hoje se conheça registros de pessoas habitando Jiuzhaigou há milhares de anos, foi apenas em 1972 que o local foi oficialmente descoberto pelo governo chinês. Em termos históricos, especialmente quando se trata da China e suas dinastias milenares, é uma descoberta muito recente. Em termos geológicos, então, não é mais do que um piscar de olhos. Por muito tempo, Jiuzhaigou permaneceu um tesouro escondido nas alturas e ainda hoje, é um refúgio para aqueles que apreciam paisagens exuberantes e imaculadas. (G.P.)

Mais sobre a China:
World Expo, Vila de Xijiang Miao, China ontem e hoje

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sobre futuro e destino



Futuro é algo que está prestes a acontecer. É inevitável, porém frágil.

Liberdade é o ato de tomar responsabilidade por aquilo que vem depois que o presente acaba.

Destino é algo que luta contra o caos inerente à existência. É construído a cada dia e, esperançosamente, ruma à posteridade brilhante.

O amor é o que faz muitas das engrenagens girarem. (G.P.)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sobre a realidade

Quando você olha para algo que está à sua frente, o ato de enxergar não acontece em tempo real. A luz viaja a 299792458 metros por segundo, é verdade, o que quer dizer que a fração de tempo necessária para que a luz chegue aos olhos é ínfima. Some a isso outra ínfima fração de tempo para que a informação visual seja processada em estímulos elétricos e você terá, em termos gerais, pouco mais que nada. Ainda assim, não enxergamos em tempo real. Ou seja, o que nós vemos no presente já é passado, uma realidade no limbo entre o que existe e o que é visto.

Assim sendo, poderíamos continuar divagando sobre a efemeridade ou sobre aquele cara que atravessou o rio, mas não. Hoje o assunto é realidade. E também interpretação, porque uma coisa não funciona sem a outra. Vamos lá então.

Definição de dicionário: real, do latim reale, é aquilo “que tem existência no mundo dos sentidos”. Em outras palavras, se você sente, é real. Muitas vezes, porém, as pessoas sentem coisas que não são passíveis de mensuração empírica. Seguindo essa definição, tudo que alguém pode sentir é tão real quanto, digamos, uma tijolada entre as omoplatas na calada da noite. Mas o dicionário continua: real é aquilo “que não é imaginário”. Porém, é difícil definir o que é imaginário ou não. Até porque, numa perspectiva quântica, tudo é energia, e, portanto, tudo é nada. Os átomos e as sinapses mais alcoolizadas são ambos feitos de nada. É algo que os budistas já sabiam há muito tempo e que a Ciência com C maiúsculo vem descobrindo recentemente – mas essa é outra história.



O fato é que imaginação e realidade (ou realidade e interpretação individual da realidade, o que muitas vezes não é muito diferente de imaginação), sob a ótica certa, podem ser separadas apenas por uma linha tênue, como o reflexo de uma montanha e a própria montanha. Quem é que pode dizer o que é mais real? (G.P.)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sobre a paz perdida num ponto do globo



Na vila de Xijiang Miao (西江苗寨), uma garota descansa em frente a um rio. Essa vila pertence ao Parque Nacional do Monte Leigong, no condado de Leishan, centro da China, e é um dos lares do povo Miao - uma das 55 minorias étnicas chinesas. Lá, onde o tempo parece ter parado de fluir entre as montanhas verdes e as plantações de arroz, é possível entender um pouquinho do que realmente se trata a paz.

In the Xijiang Miao Village (西江苗寨), a girl rests in front of a river. This village belongs to the Mount Leigong National Park, in Leishan county, center of China, and it's one of the homes of the Miao people - one of the 55 Chinese minorities. There, where time seems to have stopped flowing among the green mountains and the rice fields, it's possible to understand a little bit of what peace is really about.

西江苗寨,一个女孩正在河畔休息。该苗寨位于中国的中心,地处雷山县境内,属于中国雷公国家公园的一部分。另外,西江苗寨是中国55个少数民族之一——苗族的发源地。在那里,时间似乎在青山绿水以及稻田的美景中停滞,而正是在这样的景色中,人们或许可以真正感受到和平的真谛。



Localização aproximada / approximate location / 大概方位:
26°29'48.10"N - 108°10'27.71"L




sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sobre atravessar o rio

Vamos pensar sobre aquele cara que, hipoteticamente, atravessou o rio. Ao chegar ao outro lado, ele deixou de ser “o cara que nunca atravessou o rio” para se tornar “o cara que já atravessou o rio”, mudando assim não apenas a si mesmo, mas o mundo inteiro, que deixa de ser “o mundo no qual aquele cara específico nunca havia atravessado o rio” e passa a ser “o mundo no qual aquele cara específico já atravessou o rio”. Parece insignificante, mas, numa perspectiva ampla, são fatos assim que mudam todo o resto. É aquela velha história da borboleta batendo as asas num lado do mundo e causando um furacão no outro lado; você nunca sabe os desdobramentos que as suas ações terão daqui a um segundo ou um século. As variáveis são muitas. Previsões perfeitas são uma ilusão, pois o destino é uma coisa extremamente frágil. Uma palavra pode iniciar uma reação em cadeia e, BUM!, quando você se dá conta, "buckle your seatbelt, Dorothy, ‘cause Kansas is going bye bye!" (G.P.)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sobre a efemeridade (+ haikai #3 e haikai #4)

“Nós somos efêmeros”,
às flores da cerejeira
o homem falou.

Não tem rumo certo
a libélula que vaga
no mundo efêmero.

A efemeridade é a qualidade daquilo que é efêmero, transitório, cuja duração é curta. Por algum motivo, este é um conceito que soa assustador e belo para mim. Tudo que é efêmero é mais frágil e, portanto, digno de maior apreço. É claro que tudo – sem exceções – é efêmero, se você pensar nisso ao extremo.

Amazing Sky

Airport worker
Um crepúsculo, é claro, é efêmero.

Loneliness

Sweet poison
Uma gota sob ação da gravidade é obviamente efêmera.

Sunset in Beijing

Pigeon and infinity
Nuvens são efêmeras.

E o que não é? Nós também somos. O próprio universo, para quem acredita no Big Bang, é efêmero; quando ele deixar de se expandir, tempo e espaço (e todo o resto) voltarão para dentro do ovo cósmico. Para quem acredita no Juízo Final, o mundo também é efêmero. Não importa; sob a perspectiva da eternidade, tudo que é finito é efêmero.

Então, tudo o que se tem é uma única chance para tudo. Se eu não me engano foi Heráclito quem disse que não se pode atravessar um mesmo rio duas vezes. É verdade. Quando você chega do outro lado, você se torna o cara que já atravessou o rio uma vez, e esse cara é diferente do cara que nunca atravessou o rio. As águas também serão outras, de forma que as versões anteriores de você e do rio não mais existirão. É a idiossincrasia de cada segundo; a idiossincrasia de qualquer coisa, na verdade. (G.P.)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

About the World Expo and the China of today

In 2008, China invested something around US$40 billion in the Beijing Olympic Games. The result: an amazing spectacle that worked as a showcase of the new China to the Western world; China literally showed itself to the world. Two years later, it’s the world that shows itself to China. The 2010 edition of the World Expo (a global event held in London for the first time in 1851 under the title World’s Fair) is being held in Shanghai, and will continue until October 31. This time, the investment is US$45 billion.

Walk around the Bird's Nest
Chinese girls walk around the National Stadium in Beijing



Commemorative song produced for the 100 days countdown to the Beijing Olympic Games (2008)

World Expo 2010
Visitors around the Chinese national pavillion, in the World Expo 2010

World Expo 2010
Visitors in the European area of the World Expo. In the background, the Finnish national pavillion


Promotion video for the World Expo 2010

What do these two events of global proportions – the Olympic Games and the World Expo – say about China? First, they are not afraid of investing. Second, they are willing to embrace the world – and, consequently, the western consumption standard, from McDonald’s to BMWs. Moreover, it already happened. The Communist China, as the older generations used to imagine, doesn’t exist anymore. This is pretty clear to see, for example, when entering a shopping mall in big cities like Beijing and Shanghai. There, it’s difficult to tell if you are in China or United States, both for the signs written in English as the crowded Burger King in the corner.

The realization of these events, especially the World Expo, also shows that the world’s eyes are looking at China, and very carefully. This is not a new phenomenon, of course. Eyes turned to China stimulated many centuries of commerce during the time of the Silk Road. Later, it was the desire to reach India and China that stimulate the European navigators to launch themselves into the sea. Once again, after the death of Mao (during the 70s), and the economic opening promoted by Deng Xiaoping during the following years, China is reborn as a land of opportunities.

Opportunities that Shanghai represents very well for being a hybrid city that mixes the old and the new, and also the East and the West. That’s why Shanghai intends to be the next global capital of the 21st century. The realization of the World Expo on the river banks of the Huangpu is one of the cogs turning in that direction.

Old and new in Shanghai
Shanghai: a hybrid city that mixes the old and the new

上海
The city that intends to be the global capital of the 21st century

Today, there’s a lot of foreigners living in China, even though the majority is obviously formed by Chinese. It’s easy to be the majority when you are a nation with almost one and a half billion citizens. However, despite the fact that western visitors – and residents – are not something new, the Chinese people are still curious about the foreigners. If you are going there, and, just like me, you have your origin declared by a Western appearance, be prepared for a lot of staring in the subway, often followed by indiscreet comments. Even though the Chinese population is divided in 56 ethnic minorities, its majority (more than 90%) belongs to only one ethnic group, which is called han. Namely, the Chinese people are less used to diversity than the Brazilian, for example. In this sense, China still has a long way to go before embracing the world, as it has been trying. (G.P.)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre a World Expo e a China de hoje

Em 2008, a China investiu cerca de US$40 bilhões nas Olimpíadas de Beijing. Resultado: um espetáculo monumental que serviu como vitrine da nova China para o mundo ocidental; a China literalmente mostrou-se para o mundo. Dois anos depois, é o mundo que se mostra à China. A edição de 2010 da World Expo (ou Exposição Mundial, evento global realizado pela primeira vez em 1851 em Londres sob o título World’s Fair) está sendo realizada em Shanghai e segue até 31 de outubro. Desta vez, o investimento é de US$45 bilhões.

Walk around the Bird's Nest
Jovens chinesas caminham diante do Estádio Nacional em Beijing


Canção comemorativa produzida para a contagem regressiva de 100 dias antes das Olimpíadas em Beijing (2008)

World Expo 2010
Visitantes ao redor do pavilhão nacional da China, na World Expo 2010

World Expo 2010
Visitantes na área da Europa, na World Expo. Ao fundo, o pavilhão nacional da Finlândia


Vídeo de divulgação da World Expo 2010

O que esses dois eventos de proporções mundiais – as Olimpíadas e a World Expo – dizem sobre a China? Primeiro, que eles não têm medo de investir. Segundo, que eles estão dispostos a abraçar o mundo – e, consequentemente, o padrão de consumo ocidental, de McDonald’s a BMWs. Aliás, isso já aconteceu. A China comunista, da forma como ela existe no imaginário das gerações mais antigas, não existe mais. Isso fica visível, por exemplo, ao entrar num shopping center em metrópoles como Beijing ou Shanghai. Lá, é difícil saber se você está na China ou nos Estados Unidos, tanto pelos letreiros em inglês como pelo Burger King apinhado de gente numa das esquinas.

A realização desses eventos, principalmente no que diz respeito à World Expo em Shanghai, mostra ainda que os olhos do mundo estão voltados para a China, e muito atentamente. Isso não é um fenômeno inédito, é claro. Olhos voltados para a China já estimularam muitos e muitos séculos de comércio durante o tempo da Rota da Seda. Posteriormente, foi a vontade de chegar à Índia e à China que estimulou os navegadores europeus a lançar-se ao mar. Mais uma vez, após o falecimento de Mao (na década de 70) e a abertura econômica promovida por Deng Xiaoping nos anos seguintes, a China renasce como uma terra de oportunidades.

Oportunidades essas que Shanghai representa muito bem por ser uma cidade híbrida que mistura o novo e o antigo, assim como o ocidente e o oriente. Não é por menos que a cidade pretende ser a próxima capital global no século XXI. A realização da World Expo às margens do rio Huangpu é uma das engrenagens que giram nessa direção.

Old and new in Shanghai
Shanghai: uma cidade híbrida que une o novo e o antigo

上海
A cidade que pretender ser a capital global do século XXI

Hoje, há muitos estrangeiros vivendo na China, ainda que a maioria abrasadora seja, obviamente, formada por chineses. É fácil ser maioria quando se é uma nação com quase 1 bilhão e meio de cidadãos. Todavia, apesar de visitantes – e residentes – ocidentais não serem uma novidade, o povo chinês ainda é curioso com relação ao estrangeiro. Se você está indo para lá e tem sua origem declarada pela aparência ocidental, como eu, prepare-se para olhares demorados no metrô, muitas vezes seguidos por comentários indiscretos. Ainda que esteja dividida em 56 minorias étnicas, a maioria (mais de 90%) da população chinesa pertence a uma única etnia, chamada han. Ou seja, o povo chinês está muito menos acostumado à diversidade do que o brasileiro, por exemplo. Nesse sentido, quanto à diversidade, ainda há um longo caminho a percorrer até que a China consiga realmente abraçar o mundo, como vem tentando. (G.P.)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sobre o retorno

No momento, estou sobrevoando a Rússia. E a China, finalmente, ficou para trás. Cruzando fusos-horários a cerca de 825 km por hora e a uma altitude de quase 11 mil metros, estou ouvindo Beautiful Day, do U2.



Gosto dessa música há muito tempo, e acabo de fazer o que dizem seus versos: “See the world in green and blue, see China right in front of you” – e agora estou voltando para casa.


O mundo é grande, é verdade, mas nem tanto... As pessoas vivem suas vidas, seja no Ocidente ou no Oriente. Todas têm seus sonhos, todas lutam por eles da forma como desejam ou conseguem, e são as escolhas que elas fazem que determinam onde os caminhos vão se cruzar. E quando as pessoas se encontram, parte delas sobrevive para sempre naqueles que com elas compartilharam tempo e memórias.

Parte de mim ficou na China, e parte da China ficou em mim.


- Escrito sobre um ponto x do caminho de volta (G.P.)

domingo, 6 de junho de 2010

Sobre distância e perspectiva(s)

Às vezes as pessoas têm de ir longe para entender o que se passa ao redor delas - ou dentro delas mesmas. O segredo é a perspectiva. Quanto a mim especificamente, estou indo ao local mais distante que posso ir sob este céu. Até logo. :) (G.P.)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Life is a Cherry Flower

Myazaki Fuyumi, gorgeous as the last snowflake of a winter night and elegant as a fox, watched alone the fall of the petals of a cherry tree. Many thoughts were crossing her mind, most of them ephemeral as the flowers themselves, but the most significant one was the reflection regarding the simplicity of the existence of a cherry flower: all it had to do was jump off the twig, deliver itself to the wills of the wind and fall to the soil in a silent trajectory. In a certain way, Fuyumi was jealous about the abscence of intentions, goals, protocols to fulfill, passions and quandaries in the existence of a cherry flower. Everything would be simpler if people were as pink flowers falling from a tree after the winter, allowing themselves to be led by the breeze and nothing else.

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- Originally published in the Cow Creek Review 2009/2010, the Pittsburg State University's Literary Magazine, p. 128 (Kansas, United States).