sábado, 15 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sobre o homem que viajou no tempo




Ele havia sido o primeiro homem a viajar no tempo. E, então, lá estava, diante de si mesmo quando ainda era um garotinho, não mais do que cinco palmos acima do chão, olhando para ele cheio de curiosidade autêntica, como se, de alguma forma, fosse capaz de reconhecer a si mesmo várias décadas mais velho. Como se soubesse o que aquilo significava.

Como havia sentido saudades de si mesmo... Quando havia sido a última vez em que fora tão inocente? Tão capaz de alimentar as próprias fantasias? Tão feliz, talvez – ou ao menos algo próximo a isso? Ah, como ele gostaria de contar a si mesmo tudo o que iria acontecer, prepará-lo para as escolhas que teria de fazer e os erros que iria cometer. “Ah, se você soubesse...”, pensava ele, “se você pudesse saber antes.”

Mas ele não podia. Havia regras bem claras sobre isso: as pessoas só podem saber o que deveria ter sido feito depois que a possibilidade de fazer algo diferente já passou. Nada de segundas chances para aqueles que viajam no tempo. É assim que as coisas funcionam, e por isso não havia nada que pudesse ser dito.

O garotinho olhou para si mesmo e deu um passo à frente. O homem mais velho abaixou-se e os dois se olharam por um breve momento. Mesmo sem dizer nada, eles sabiam o que cada um estava sentindo. Dentro de cada um deles, havia algo do outro: um pouco do passado no futuro e, se é que era possível, um pouco do futuro no passado.

Ainda em silêncio, o garotinho tocou a barba do homem, e depois puxou de leve a sua gravata, achando graça naquilo que iria se tornar. E o homem abraçou o corpinho pequeno e frágil com todo o carinho, sabendo o peso de cada uma das escolhas que ele iria fazer até que decidisse voltar para aquele dia.

Sem dizer nada, eles apenas sorriram. Pelo mesmo motivo? Por motivos diferentes? Nenhum dos dois poderia dizer verdadeiramente. E, então, cada um seguiu seu caminho. O mesmo caminho, mas caminhos diferentes, um dia de cada vez. (G.P.)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

About life

How many things have you left behind since you arrived this world? Who would you like to be with one more time? Which memories do you keep as the most important and fragile treasure?


La Maison en Petits Cubes (2008, written by Kenya Hirata,
directed by Kuni Katō, music by Kenji Kondo)

Who are you among all these portraits, after all?

People say that when you are about to die, you can see your whole life again. I don't believe that. But I do believe there must be something that pops up in your mind before the very end. What does that little fraction of memory mean? What does it define? Maybe one will find out only when it's too damn late. (G.P.)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre máscaras

Kamen, by Rin'

会えると信じてる見えない仮面取り去って
光出会う

Tossing away the invisible mask,
one faces light.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sobre a essência de todas as coisas

"To try to find the figure in the carpet of one's writing can be as chilling as trying to find it in one's life; to weave, post facto, a figure in – 'this is what I meant to say' – is an intense temptation."

“Tentar achar a imagem na tapeçaria dos seus escritos pode ser tão desanimador quanto encontrá-la em sua vida; tecê-la, post facto – ‘era isso que eu queria dizer’ – é uma intensa tentação.”

Clifford Geertz


O que é a imagem senão a essência de uma tapeçaria?
Buscar a imagem numa tapeçaria é buscar nada menos que a sua razão de existir. Procurar a imagem, portanto, é procurar a essência das coisas.
Os escritos geralmente têm uma mensagem essencial, um cerne ao redor do qual as narrativas se constroem de modo a embasar o que foi escrito, e as pessoas têm a propensão de tecer suas vidas da mesma forma.
É daí que vem a tentação de tecer sentidos para as coisas depois que elas já aconteceram (post facto), pois é isso que nós fazemos: tecemos histórias e estórias, construindo uma imagem para a tapeçaria, esperançosos por achar um sentido maior para todas as coisas, algo que finalmente nos mostre qual é a essência da vida. (G.P.)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobre O Rei Leão, o ciclo sem fim e nostalgia

Dezessete anos já ficaram para trás desde a estreia do clássico O Rei Leão, lançado pela Disney em 1994. Inspirada em Hamlet, de Shakespeare, a saga de vida e morte nas savanas definitivamente marcou o imaginário de uma geração, produzindo arrepios nostálgicos a cada vez que o Sol se levantava sobre as planícies africanas.


Por meio do personagem de Simba, o tradicional “herói que retorna”, milhares de jovens espectadores aprendiam pela primeira vez que todos os seres vivos estão interligados num ciclo interminável que abarca a todos, das gazelas mais frágeis ao mais forte leão. Aprendiam também que a morte tem um sabor deveras amargo e que, invariavelmente, as coisas vão dar errado – e algumas delas nunca poderão ser corrigidas.


Tudo isso por meio das técnicas de animação em 2D, as mesmas utilizadas em outras obras de arte como A Bela e a Fera, A Pequena Sereia e Mulan, filmes que – correndo o risco de parecer saudosista – não encontram paralelo nas obras lançadas atualmente.


Em 2011, para apresentar a narrativa a uma nova geração, chega às lojas a nova versão Diamond Edition do disco blu-ray de O Rei Leão, além da versão 3D para exibição nos cinemas, a qual eu assisti – vejam só! – na mesma sala em que, numa idade bem mais tenra, assisti ao filme original pela primeira vez. E eis que, quase duas décadas depois, pude ouvir uma nova criança chorando ao assistir à morte de Mufasa, para o deleite dos espectadores mais velhos, como eu. É clichê, eu sei, mas isso faz você se dar conta de que o ciclo sem fim, de fato, continua girando sem parar. (G.P.)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Viver...

...é fazer a melhor escolha a partir do que o acaso joga para você.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sobre multiculturalismo, sangue e o belo ato de dançar pelo mundo


É difícil entender o porquê de uma pessoa odiar o multiculturalismo. Mais do que isso, é difícil entender como tal ódio pode culminar em atitudes extremas como o atentado de 22 de julho, ocorrido em Oslo, capital da Noruega.

Motivado por um posicionamento político ultranacionalista e pela repulsa principalmente a judeus e islâmicos, o empresário Anders Behring Breivik, 32 anos, utilizou bombas manufaturadas a partir de fertilizantes para atentar contra a sede do governo norueguês. Na sequência, ele rumou para Utoya, uma ilha a cerca de 40 km do centro da capital, onde estava sendo realizado um acampamento de jovens promovido pelo Partido Trabalhista norueguês, de centro-esquerda. Disfarçado de policial, ele atirou contra os jovens, matando 68. Os dois atentados, que deveriam chamar a atenção para a causa de Breivik, resultaram em 70 vítimas fatais.

“Posso não concordar com o que dizem, mas defendo até a morte o direito de dizer.” A frase é atribuída a Voltaire, filósofo francês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, e ainda é relevante, especialmente numa nação democrática como a Noruega, onde um indivíduo tem o direito de ter suas próprias opiniões – ainda que sejam opiniões como a de Breivik. Afinal, negar o direito de alguém expor sua opinião é, de certa forma, negar a própria pluralidade. O que é inadmissível é que esse direito à opinião seja usado como combustível para calar opiniões alheias e ceifar vidas inocentes como aconteceu na capital norueguesa.

Ironicamente, é em Oslo que o Prêmio Nobel da Paz é entregue anualmente a pessoas que tenham contribuído para a fraternidade entre as nações e se destacado em seus esforços pela manutenção da paz mundial.

Ainda assim, sangue foi derramado na capital da paz.

Acontecimentos como esse fazem a gente se perguntar qual é o futuro do conturbado mundo pós-moderno. A Guerra Fria se foi, o mundo polarizado ficou para trás e – ainda que muita gente prefira se fechar em suas fortalezas como um caracol – as fronteiras caíram e as culturas fervilham por aí.

O vídeo Where the Hell is Matt? é resultado do trabalho de Matt Harding,
que viajou pelo mundo fazendo sua dancinha aqui e acolá,
com pessoas diferentes em mais de 40 países


O mundo não é mais apenas multicultural, mas intercultural. E, provavelmente, ele será um lugar melhor quando as pessoas dançarem juntas, onde quer que elas estejam, a despeito de suas cores, suas línguas, seus deuses e suas visões políticas. (G.P.)

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sobre sabedoria

Sabedoria é resiliência,
é compreender o que é desapego,
é compreender o que é perdão,
é compreender o que é karma.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobre uma obra de arte pós-moderna

Há muita discussão acerca da globalização na pós-modernidade, um fenômeno talvez ainda pouco compreendido que, ao derrubar fronteiras geográficas, culturais, políticas e principalmente comunicacionais, pode, em teoria, tornar homogênea toda e qualquer forma de expressão humana.

Mas eis que às vezes surgem manifestações apátridas e interculturais que, com todo o potencial de obras de arte (abusando da referência inevitável), acrescentam novos fatores a essa equação complexa. É o caso da obra Work of Art, da cantora e compositora brasileira Haikaa Yamamoto, que é interpretada em 19 idiomas diferentes e foi composta a partir de um projeto que envolveu letristas de todos os cantos do planeta.


A canção é interpretada em turco, mandarim, grego, coreano, francês, armênio, espanhol, holandês, português, japonês, árabe, italiano, dinamarquês, cantonês, hebraico, alemão, inglês e até mesmo guarani e lushootseed (dialeto de algumas etnias nativas da América do Norte), e ao fazê-lo com aparente maestria em cada um desses idiomas, a intérprete consegue tocar num ponto que transcende o processo de cognição de uma ou outra língua: o conceito de uma comunidade cultural global, em que a expressão humana migra livremente e assume formas híbridas aqui e acolá.

Particularmente, eu acredito que esse hibridismo é uma tendência daqui para a frente, em variadas esferas da existência social, como já mencionei aqui. Se é bom ou mau, certo ou errado, cabe a cada observador fazer uso de seu maniqueísmo pessoal para julgar, mas a questão é que se trata de um fenômeno irrefreável. E diante de obras de arte como o trabalho de Haikaa, é ótimo que seja assim. (G.P.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Mjöd, o vinho de mel


Uma receita original (G.P.)

"Não sei se cada homem que atacou Eoferwic estava bêbado, mas estaria se houvesse hidromel, cerveja e vinho de bétula suficientes. A bebedeira havia ocupado boa parte da noite e quando acordei encontrei homens vomitando ao alvorecer."

CORNWELL, Bernard. O último reino. 5. ed. Rio de Janeiro: Record, 2009. p. 33


O hidromel (também chamado de vinho de mel) é uma bebida antiga, especialmente popular nos países do norte da Europa, onde é conhecido como mjöd. Basicamente, consiste numa bebida alcoólica fermentada a partir de água e mel.

Para produzir hidromel artesanalmente, tudo que você vai precisar, além dos ingredientes descritos abaixo, é de uma garrafa vazia (preferencialmente de vidro), uma bexiga comum e um elástico.

Os ingredientes são:
- 1 xícara de mel
- Água mineral (suficiente para uma garrafa de vinho, ou cerca de 675 ml)
- 2 sachês de chá de cassis (ou outro sabor)
- Suco de 1 Limão
- 2 colheres rasas de chá de fermento biológico para pão (Saccharomyces cerevisiae)

Não é necessário levar essas proporções tão a sério. Normalmente, usa-se uma parte de mel para duas partes de água, além de outros ingredientes não obrigatórios como especiarias e frutas, dependendo do seu gosto. Neste caso, a receita é de apenas uma garrafa de hidromel acrescido de limão e chá de cassis. Comparada a outras receitas, esta usa uma grande quantidade de mel em relação à água, resultando num produto final com sabor e aroma peculiares.

Como fazer:
Primeiramente, você deve ferver a água e preparar o chá, acrescentando o suco do limão. Desligue o fogo e acrescente o mel. A essa mistura dá-se o nome de mosto.

Deixe o mosto esfriar até a temperatura ambiente antes de acrescentar o fermento biológico. Mexa-o bem e prepare-se para engarrafar. Antes, não se esqueça de higienizar a garrafa muito bem, afinal o hidromel irá permanecer nela por um longo tempo e você não quer que outros microorganismos além daqueles contidos no fermento se desenvolvam.

Feito isso, acrescente o mosto à garrafa e use a bexiga para fechar a abertura, fechando-a com o auxílio do elástico como mostra a figura.


O elástico e a bexiga servirão para que o ar do ambiente não entre em contato com o interior da garrafa. Uma vez que a abertura estiver lacrada, todo o oxigênio sobressalente no interior será consumido pelos microorganismos do fermento. E é aí que a mágica acontece: nesse ponto, o fermento começará a quebrar as moléculas de açúcar do mosto em gás carbônico e álcool. Assim, durante a fermentação, o nível alcoólico da bebida subirá até certo ponto, até que o processo se torne mais lento e finalmente pare.

Você saberá que está funcionando porque a bexiga irá inflar, e é importante que você não abra a garrafa durante todo o processo. Guarde-a num ambiente escuro e deixe o hidromel maturando por alguns meses. Depois de algum tempo, você perceberá que o fermento irá decantar no fundo da garrafa.

Quando você finalmente abrir a garrafa, filtros de papel podem ser utilizados para realizar a filtragem da bebida e obter um produto mais claro. Tome cuidado para que o fermento decantado não se misture novamente ao líquido, o que tornará o hidromel turvo.

E é isso aí, o que você terá em mãos é uma bebida artesanal muito semelhante àquela que os vikings e outros povos nórdicos saboreavam há séculos. (G.P.)

sábado, 7 de maio de 2011

O senhor que sabia voar



Durante sua vida sexagenária, ele já havia lido tantos livros de fantasia quanto eram necessários para saber que pessoas podem, de fato, voar. No entanto, ele já havia lido também muitos livros sobre aviação, física e anatomia das aves, tantos quanto eram necessários para saber que seres humanos simplesmente não têm a aerodinâmica necessária.

Mesmo assim, ele sabia que voar era possível, pois já havia conseguido. Várias vezes, na verdade. Tudo o que ele precisava fazer era estender a cabeça para a frente, abrir os braços e saltar na direção da brisa. Depois que já estava no ar, bastava guiar-se na direção pretendida e, de alguma forma, manter o corpo leve. Não era um processo natural, é claro, como ocorre para os pardais, os colibris e as gaivotas; nem sempre ele conseguia levantar voo, e às vezes esbarrava numa árvore ou num prédio. Mas, durante as décadas, ele aprendeu a controlar altitude, velocidade e direção.

Ninguém nunca o havia visto voando. Quando ele era criança, talvez aos cinco ou seis anos, todos os seus voos aconteceram quando nenhum adulto estava por perto. Sua mãe, obviamente, não acreditava que ele pudesse voar, mas era suficientemente inteligente para sorrir com bondade e encorajá-lo nas aventuras que considerava imaginárias.

Depois de adulto, foi a vez de sua esposa desacreditá-lo. “Como pode um banqueiro respeitável, com uma imagem a zelar na sociedade, manter sonhos juvenis como esse?”, dizia ela. Tudo o que ele fazia em resposta era sorrir jocosamente e dar-lhe um beijo na testa, e continuava voando naqueles momentos em que manter a imagem perante a sociedade não era uma prioridade. Voar era uma das duas coisas que lhe davam mais prazer na vida. A outra era observar os elfos que habitavam a árvore em frente à sua casa.

Os elfos eram criaturas extraordinárias. Eram muito similares a humanos, tanto em tamanho como em aspecto, mas algo neles denunciava uma presença quase extraterrestre. Eles emanavam um brilho pálido, como estrelas em forma humanóide, e estavam sempre absortos em algum tipo de labor misterioso, sistemático, que o senhor que sabia voar observava à distância. Envolvidos na metodologia de seu trabalho, os elfos caminhavam graciosamente sobre os galhos da árvore. Às vezes, o senhor que sabia voar tentava comunicar-se com eles, mas eles sempre o ignoravam, e quando ele chegava perto demais, corriam para dentro das folhagens, desaparecendo como se nunca tivessem estado ali.

Os elfos da árvore eram os únicos que o senhor que sabia voar via de perto, mas ele sabia que existiam outros elfos em algum lugar. E os elfos também sabiam voar. Às vezes, ele via grandes grupos de elfos, talvez trinta ou quarenta deles, todos usando capuzes brancos, voando a grandes atitudes de braços abertos sob as nuvens cor de cobalto, sempre do Oeste para o Leste. Ele não sabia aonde os elfos iam, mas gostava de imaginar uma terra de elfos acessível apenas àqueles que sabiam voar. Um dia, talvez, ele voaria até lá.

A primeira pessoa que, de fato, acreditou que ele era capaz de voar foi o seu neto de quatro anos. Quando ficou sabendo das façanhas do avô, nunca fez pergunta alguma em tom de dúvida. “Deve fazer muito frio lá em cima, vovô”, foi tudo o que ele disse. Em seu aniversário de 61 anos, ganhou do neto um cachecol de lã vermelha, para que ele usasse quando estivesse voando. Foi o melhor presente que alguém já havia lhe dado.

Naquele momento, porém, apesar de estar muito feliz, ele já havia começado a perceber que o tempo pode ser um companheiro deveras cruel. Dores terríveis nos joelhos tornavam difícil tomar o impulso inicial na hora de voar e o ar gelado fazia mal aos seus pulmões. Um dia, ele começou a temer que nunca mais conseguisse sair do chão. Resolveu, então, ensinar ao neto como fazê-lo. Durante longas tardes de outono eles praticavam, e às vezes observavam juntos os elfos que passavam voando numa formação em V durante o crepúsculo.

Um dia, porém, tudo acabou subitamente. O senhor foi dormir, depois de tomar o seu chá com cinco gotas de limão, e nunca mais acordou. Seu coração simplesmente recusou-se a continuar fazendo o seu trabalho. Todos pensaram que ele havia morrido, e ficaram muito tristes. Seu neto, no entanto, era o único que sabia que, na verdade, ele havia ido voar com os elfos entre as nuvens de cobalto, onde o joelho não doía e não havia a imagem de banqueiro respeitável a zelar, com o cachecol vermelho ondulando ao vento, para sempre. (G.P.)