why do you keep spinning?
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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why do you keep spinning?
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Sobre o homem que viajou no tempo
Ele havia sido o primeiro homem a viajar no tempo. E, então, lá estava, diante de si mesmo quando ainda era um garotinho, não mais do que cinco palmos acima do chão, olhando para ele cheio de curiosidade autêntica, como se, de alguma forma, fosse capaz de reconhecer a si mesmo várias décadas mais velho. Como se soubesse o que aquilo significava.
Como havia sentido saudades de si mesmo... Quando havia sido a última vez em que fora tão inocente? Tão capaz de alimentar as próprias fantasias? Tão feliz, talvez – ou ao menos algo próximo a isso? Ah, como ele gostaria de contar a si mesmo tudo o que iria acontecer, prepará-lo para as escolhas que teria de fazer e os erros que iria cometer. “Ah, se você soubesse...”, pensava ele, “se você pudesse saber antes.”
Mas ele não podia. Havia regras bem claras sobre isso: as pessoas só podem saber o que deveria ter sido feito depois que a possibilidade de fazer algo diferente já passou. Nada de segundas chances para aqueles que viajam no tempo. É assim que as coisas funcionam, e por isso não havia nada que pudesse ser dito.
O garotinho olhou para si mesmo e deu um passo à frente. O homem mais velho abaixou-se e os dois se olharam por um breve momento. Mesmo sem dizer nada, eles sabiam o que cada um estava sentindo. Dentro de cada um deles, havia algo do outro: um pouco do passado no futuro e, se é que era possível, um pouco do futuro no passado.
Ainda em silêncio, o garotinho tocou a barba do homem, e depois puxou de leve a sua gravata, achando graça naquilo que iria se tornar. E o homem abraçou o corpinho pequeno e frágil com todo o carinho, sabendo o peso de cada uma das escolhas que ele iria fazer até que decidisse voltar para aquele dia.
Sem dizer nada, eles apenas sorriram. Pelo mesmo motivo? Por motivos diferentes? Nenhum dos dois poderia dizer verdadeiramente. E, então, cada um seguiu seu caminho. O mesmo caminho, mas caminhos diferentes, um dia de cada vez. (G.P.)
domingo, 2 de outubro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
About life
How many things have you left behind since you arrived this world? Who would you like to be with one more time? Which memories do you keep as the most important and fragile treasure?
La Maison en Petits Cubes (2008, written by Kenya Hirata,
directed by Kuni Katō, music by Kenji Kondo)
People say that when you are about to die, you can see your whole life again. I don't believe that. But I do believe there must be something that pops up in your mind before the very end. What does that little fraction of memory mean? What does it define? Maybe one will find out only when it's too damn late. (G.P.)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Sobre máscaras
Kamen, by Rin'
会えると信じてる見えない仮面取り去って
光出会う
Tossing away the invisible mask,
one faces light.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Sobre a essência de todas as coisas
"To try to find the figure in the carpet of one's writing can be as chilling as trying to find it in one's life; to weave, post facto, a figure in – 'this is what I meant to say' – is an intense temptation."
“Tentar achar a imagem na tapeçaria dos seus escritos pode ser tão desanimador quanto encontrá-la em sua vida; tecê-la, post facto – ‘era isso que eu queria dizer’ – é uma intensa tentação.”
Clifford Geertz
O que é a imagem senão a essência de uma tapeçaria?
Buscar a imagem numa tapeçaria é buscar nada menos que a sua razão de existir. Procurar a imagem, portanto, é procurar a essência das coisas.
Os escritos geralmente têm uma mensagem essencial, um cerne ao redor do qual as narrativas se constroem de modo a embasar o que foi escrito, e as pessoas têm a propensão de tecer suas vidas da mesma forma.
É daí que vem a tentação de tecer sentidos para as coisas depois que elas já aconteceram (post facto), pois é isso que nós fazemos: tecemos histórias e estórias, construindo uma imagem para a tapeçaria, esperançosos por achar um sentido maior para todas as coisas, algo que finalmente nos mostre qual é a essência da vida. (G.P.)
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
Sobre O Rei Leão, o ciclo sem fim e nostalgia
Dezessete anos já ficaram para trás desde a estreia do clássico O Rei Leão, lançado pela Disney em 1994. Inspirada em Hamlet, de Shakespeare, a saga de vida e morte nas savanas definitivamente marcou o imaginário de uma geração, produzindo arrepios nostálgicos a cada vez que o Sol se levantava sobre as planícies africanas.
Por meio do personagem de Simba, o tradicional “herói que retorna”, milhares de jovens espectadores aprendiam pela primeira vez que todos os seres vivos estão interligados num ciclo interminável que abarca a todos, das gazelas mais frágeis ao mais forte leão. Aprendiam também que a morte tem um sabor deveras amargo e que, invariavelmente, as coisas vão dar errado – e algumas delas nunca poderão ser corrigidas.
Tudo isso por meio das técnicas de animação em 2D, as mesmas utilizadas em outras obras de arte como A Bela e a Fera, A Pequena Sereia e Mulan, filmes que – correndo o risco de parecer saudosista – não encontram paralelo nas obras lançadas atualmente.
Em 2011, para apresentar a narrativa a uma nova geração, chega às lojas a nova versão Diamond Edition do disco blu-ray de O Rei Leão, além da versão 3D para exibição nos cinemas, a qual eu assisti – vejam só! – na mesma sala em que, numa idade bem mais tenra, assisti ao filme original pela primeira vez. E eis que, quase duas décadas depois, pude ouvir uma nova criança chorando ao assistir à morte de Mufasa, para o deleite dos espectadores mais velhos, como eu. É clichê, eu sei, mas isso faz você se dar conta de que o ciclo sem fim, de fato, continua girando sem parar. (G.P.)
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Sobre multiculturalismo, sangue e o belo ato de dançar pelo mundo
É difícil entender o porquê de uma pessoa odiar o multiculturalismo. Mais do que isso, é difícil entender como tal ódio pode culminar em atitudes extremas como o atentado de 22 de julho, ocorrido em Oslo, capital da Noruega.
Motivado por um posicionamento político ultranacionalista e pela repulsa principalmente a judeus e islâmicos, o empresário Anders Behring Breivik, 32 anos, utilizou bombas manufaturadas a partir de fertilizantes para atentar contra a sede do governo norueguês. Na sequência, ele rumou para Utoya, uma ilha a cerca de 40 km do centro da capital, onde estava sendo realizado um acampamento de jovens promovido pelo Partido Trabalhista norueguês, de centro-esquerda. Disfarçado de policial, ele atirou contra os jovens, matando 68. Os dois atentados, que deveriam chamar a atenção para a causa de Breivik, resultaram em 70 vítimas fatais.
“Posso não concordar com o que dizem, mas defendo até a morte o direito de dizer.” A frase é atribuída a Voltaire, filósofo francês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, e ainda é relevante, especialmente numa nação democrática como a Noruega, onde um indivíduo tem o direito de ter suas próprias opiniões – ainda que sejam opiniões como a de Breivik. Afinal, negar o direito de alguém expor sua opinião é, de certa forma, negar a própria pluralidade. O que é inadmissível é que esse direito à opinião seja usado como combustível para calar opiniões alheias e ceifar vidas inocentes como aconteceu na capital norueguesa.
Ironicamente, é em Oslo que o Prêmio Nobel da Paz é entregue anualmente a pessoas que tenham contribuído para a fraternidade entre as nações e se destacado em seus esforços pela manutenção da paz mundial.
Ainda assim, sangue foi derramado na capital da paz.
Acontecimentos como esse fazem a gente se perguntar qual é o futuro do conturbado mundo pós-moderno. A Guerra Fria se foi, o mundo polarizado ficou para trás e – ainda que muita gente prefira se fechar em suas fortalezas como um caracol – as fronteiras caíram e as culturas fervilham por aí.
O vídeo Where the Hell is Matt? é resultado do trabalho de Matt Harding,
que viajou pelo mundo fazendo sua dancinha aqui e acolá,
com pessoas diferentes em mais de 40 países
O mundo não é mais apenas multicultural, mas intercultural. E, provavelmente, ele será um lugar melhor quando as pessoas dançarem juntas, onde quer que elas estejam, a despeito de suas cores, suas línguas, seus deuses e suas visões políticas. (G.P.)
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Where the Hell is Matt?
sábado, 2 de julho de 2011
Quatro dedos de vodka
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Sobre sabedoria
Sabedoria é resiliência,
é compreender o que é desapego,
é compreender o que é perdão,
é compreender o que é karma.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Sobre uma obra de arte pós-moderna
Há muita discussão acerca da globalização na pós-modernidade, um fenômeno talvez ainda pouco compreendido que, ao derrubar fronteiras geográficas, culturais, políticas e principalmente comunicacionais, pode, em teoria, tornar homogênea toda e qualquer forma de expressão humana.
Mas eis que às vezes surgem manifestações apátridas e interculturais que, com todo o potencial de obras de arte (abusando da referência inevitável), acrescentam novos fatores a essa equação complexa. É o caso da obra Work of Art, da cantora e compositora brasileira Haikaa Yamamoto, que é interpretada em 19 idiomas diferentes e foi composta a partir de um projeto que envolveu letristas de todos os cantos do planeta.
A canção é interpretada em turco, mandarim, grego, coreano, francês, armênio, espanhol, holandês, português, japonês, árabe, italiano, dinamarquês, cantonês, hebraico, alemão, inglês e até mesmo guarani e lushootseed (dialeto de algumas etnias nativas da América do Norte), e ao fazê-lo com aparente maestria em cada um desses idiomas, a intérprete consegue tocar num ponto que transcende o processo de cognição de uma ou outra língua: o conceito de uma comunidade cultural global, em que a expressão humana migra livremente e assume formas híbridas aqui e acolá.
Particularmente, eu acredito que esse hibridismo é uma tendência daqui para a frente, em variadas esferas da existência social, como já mencionei aqui. Se é bom ou mau, certo ou errado, cabe a cada observador fazer uso de seu maniqueísmo pessoal para julgar, mas a questão é que se trata de um fenômeno irrefreável. E diante de obras de arte como o trabalho de Haikaa, é ótimo que seja assim. (G.P.)
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